===== ATIVIDADE ===== (in. Activity; fr. Activité; al. Tätigkeit ou Aktivität; it. Attivita). [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:t:termo|termo]] tem dois significados correspondentes aos dois significados da [[lexico:p:palavra|palavra]] [[lexico:a:acao|ação]]. De um lado, é empregado para indicar um [[lexico:c:complexo|complexo]] mais ou menos homogêneo de [[lexico:a:acoes|ações]] voluntárias (com [[lexico:r:referencia|referência]] ao 2° [[lexico:s:significado|significado]] da palavra ação), como quando se diz "x desenvolveu intensa atividade [[lexico:p:politica|política]]". De [[lexico:o:outro|outro]], é usado para indicar o [[lexico:m:modo|modo]] de [[lexico:s:ser|ser]] daquilo que age ou tem em seu poder a ação, como quando se diz "O [[lexico:e:espirito|espírito]] é ativo no conhecer", para dizer que [[lexico:n:nao|não]] é simplesmente receptivo ou [[lexico:p:passivo|passivo]]. O contrário de atividade, nesse segundo [[lexico:s:sentido|sentido]], é "passividade", ao passo que o contrário de atividade no primeiro sentido é "inércia" ou "inação". O [[lexico:u:uso|uso]] filosófico coincide com o uso da [[lexico:l:linguagem|linguagem]] comum e, portanto, também é dúplice. Todavia, sobretudo no uso [[lexico:m:moderno|moderno]], prevalece o segundo significado. [[lexico:m:malebranche|Malebranche]] (Recherche de la vérité, II, 7), alguns ideólogos franceses e Galluppi ([[lexico:f:filosofia|Filosofia]] della volontà, I, 6, § 60) utilizam o termo atividade para designar o modo de agir da [[lexico:v:vontade|vontade]]; mas, ainda nesse caso, o significado do termo é o segundo, não o primeiro. Quanto a esse segundo significado, pode-se talvez remontar a [[lexico:l:locke|Locke]], que distingue a "passividade" do espírito, pela qual ele recebe todas as [[lexico:i:ideias|ideias]] [[lexico:s:simples|simples]], da atividade pela qual ele "realiza por conta própria numerosos atos" nos quais "exerce poder sobre as ideias simples" (Ensaio, II, 12, 1). [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] (Nouv. ess., II, 21) e [[lexico:k:kant|Kant]] usam para esse [[lexico:f:fim|fim]] e com o mesmo significado a palavra [[lexico:e:espontaneidade|espontaneidade]], embora em [[lexico:a:antropologia|antropologia]] (I, § 72) Kant use a palavra "atividade": "No que concerne ao [[lexico:e:estado|Estado]] das representações, o meu espírito pode ser ativo, e então demonstra poder (facultas), ou passivo, e então possui [[lexico:s:sensibilidade|sensibilidade]] (receptivitas). Um [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] encerra em si ambas as [[lexico:c:coisas|coisas]], e a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de tê-lo é chamada de poder cognoscitivo da [[lexico:p:parte|parte]] mais excelente, isto é, da atividade do espírito em ligar as representações ou em separá-las umas das outras". A [[lexico:n:nocao|noção]] de atividade, como espontaneidade pura ou absoluta no sentido de poder criativo, está no cerne da filosofia de [[lexico:f:fichte|Fichte]]. "A atividade do [[lexico:e:eu|eu]] consiste no [[lexico:i:ilimitado|ilimitado]] pôr-se", diz Fichte (Wissenschaftslehre, 1794, II, § 4), e, pondo-se a [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]], o eu também põe, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], o [[lexico:m:mundo|mundo]] extenso como seu [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:l:limite|limite]] e [[lexico:c:condicao|condição]]. A partir de Fichte, a [[lexico:f:filosofia-moderna|filosofia moderna]] teve como um de seus temas prediletos "a atividade criadora do espírito"; em algumas, como o [[lexico:a:atualismo|atualismo]] de Gentile, constitui o [[lexico:t:tema|tema]] dominante. É claro que, nessas formas extremas, a noção de atividade perde significado: este deriva da [[lexico:r:relacao|relação]] com a noção de passividade, enquanto designa a possibilidade e o poder de ação em face de limites ou condições determinadas, ao passo que, onde a atividade é infinita, não subsistem limites ou condições e a [[lexico:d:distincao|distinção]] entre atividade e passividade não tem sentido.