===== ATENÇÃO ===== gr. phrontis como um [[lexico:p:principio|princípio]] em [[lexico:p:plotino|Plotino]], [[lexico:n:noesis|noesis]] 21; [[lexico:n:nous|noûs]] 18; [[lexico:h:hen|hen]] 13 (in. Attention; fr. Attention; al. Aufmerksamkeit; it. Attenzioné). [[lexico:n:nocao|Noção]] relativamente recente (séc. XVII), com a qual se entende em [[lexico:g:geral|geral]] o [[lexico:a:ato|ato]] pelo qual o [[lexico:e:espirito|espírito]] toma [[lexico:p:posse|posse]] de [[lexico:f:forma|forma]] clara e vivida de um dos seus possíveis objetos, ou a [[lexico:a:apresentacao|apresentação]] clara e vivida de um desses possíveis objetos ao espírito. A noção de atenção encontra-se em [[lexico:d:descartes|Descartes]], que a entende como o ato pelo qual o espírito toma em consideração um [[lexico:u:unico|único]] [[lexico:o:objeto|objeto]] durante algum [[lexico:t:tempo|tempo]] (Pass. de l’âme, I, § 43). [[lexico:l:locke|Locke]] chama de "atenção" a atenção passiva com que o espírito é atraído por certas [[lexico:i:ideias|ideias]], ao passo que chama de "[[lexico:r:reflexao|reflexão]]" a atenção ativa pela qual ele escolhe certas ideias como objetos privilegiados (Ensaio, II, I, § 8). Diz ele: "Quando tomamos [[lexico:n:nota|nota]] das ideias que se nos apresentam [[lexico:p:por-si|por si]] e elas são, por assim dizer, registradas na [[lexico:m:memoria|memória]], trata-se da atenção" (ibid., II, 19, § 1). [[lexico:l:leibniz|Leibniz]], no entanto, dá [[lexico:s:sentido|sentido]] ativo à atenção.- "Damos atenção aos objetos que distinguimos e preferimos aos outros". E como formas da atenção enumera a consideração, a [[lexico:c:contemplacao|contemplação]], o [[lexico:e:estudo|estudo]], a [[lexico:m:meditacao|meditação]] (Nouv. ess., II, 19, § 1). Ela constitui a passagem das [[lexico:p:pequenas-percepcoes|pequenas percepções]] à [[lexico:a:apercepcao|apercepção]] (ibid., pref.). A atenção conserva [[lexico:e:esse|esse]] mesmo [[lexico:c:carater|caráter]] ativo em [[lexico:w:wolff|Wolff]] (Psycbol. emp., § 237) e em [[lexico:k:kant|Kant]] (Antr., I, § 3), que a define como "o [[lexico:e:esforco|esforço]] de tornar-se [[lexico:c:consciente|consciente]] das próprias representações". A partir da segunda metade do séc. XIX, com o surgimento da [[lexico:p:psicologia|psicologia]] científica, a atenção, considerada como uma das condições da [[lexico:v:vida-psiquica|vida psíquica]], é incluída no âmbito dessa [[lexico:c:ciencia|ciência]]. Seu [[lexico:c:conceito|conceito]] continua sendo o mesmo que fora formulado pelos filósofos; os psicólogos distinguem a atenção espontânea, passiva ou involuntária, em que o objeto se impõe à [[lexico:c:consciencia|consciência]], e a atenção ativa, voluntária ou controlada, em que o [[lexico:s:sujeito|sujeito]] escolhe o objeto da sua atenção. A psicologia contemporânea considera a atenção como [[lexico:a:adaptacao|adaptação]] ativa a uma [[lexico:s:situacao|situação]], como [[lexico:o:orientacao|orientação]] seletiva em face dos objetos a serem percebidos (cf., p. ex., D. O. Hebb, The Organization of Behaviour, 1949, p. 4). Com essa noção de atenção, que se ajusta ao [[lexico:e:esquema|esquema]] geral predominante nas ciências antropológicas, segundo o qual toda [[lexico:a:atividade|atividade]] do [[lexico:h:homem|homem]] é a sua resposta a determinado [[lexico:c:complexo|complexo]] de estímulos (situações ou problemas), a atenção saiu do domínio da pura [[lexico:i:interioridade|interioridade]] e foi reconhecida como uma forma de [[lexico:c:comportamento|comportamento]]. É a [[lexico:a:atitude|atitude]] psíquica endereçada a obter uma [[lexico:c:compreensao|compreensão]] clara. No caso da atenção [[lexico:s:sensorial|sensorial]], dita atitude está ligada à correspondente adaptação dos órgãos dos sentidos. A atenção pode [[lexico:s:ser|ser]] despertada passivamente pelo objeto que atua de surpresa sobre o sujeito ou mantida ativamente sob a direção da [[lexico:v:vontade|vontade]] humana, em [[lexico:o:ordem|ordem]] a alcançar uma compreensão intelectual mais penetrante de [[lexico:r:relacoes|relações]] dadas ou supostas. A par da atenção [[lexico:a:atual|atual]] voltada para seu objeto, existe a atenção, que podemos qualificar de potencial, ou seja, uma orientação habitual marginalmente consciente que com maior facilidade e rapidez faz entrar na zona central da atenção as determinadas espécies de objetos. Para suscitar e manter viva a atenção atual, requer-se [[lexico:a:alem|além]] da importância do objeto e da ânsia de conhecer, certa elasticidade e vigor psico-somático. Apesar disso, a atenção [[lexico:n:nao|não]] permanece durante muito tempo aplicada com igual [[lexico:t:tensao|tensão]] ao mesmo objeto, senão que sua [[lexico:i:intensidade|intensidade]] apresenta oscilações rítmicas. No centro do [[lexico:c:campo|campo]] da atenção concentrada só pode haver um conteúdo [[lexico:o:objetivo|objetivo]] (podem lá [[lexico:e:estar|estar]] vários objetos, mas só enquanto unidos num [[lexico:t:todo|todo]] (consciência). Aliás, em [[lexico:i:igualdade|igualdade]] de condições, a amplitude e rápida variabilidade da atenção, por um lado, e, por [[lexico:o:outro|outro]] lado, a demasiado intensa concentração estão geralmente em [[lexico:r:razao|razão]] inversa. Condicionados provavelmente pela [[lexico:h:hereditariedade|hereditariedade]], distinguem-se vários tipos de atenção, consoante esta se desvie com maior facilidade e elasticidade para impressões instáveis ou, ao invés, se fixe de [[lexico:m:modo|modo]] estável e concentrado num único objeto. A atenção é sumamente importante para o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]. Estimula a rápida [[lexico:e:eficiencia|eficiência]] dos excitantes, a clareza das imagens, intensifica o [[lexico:t:trabalho|trabalho]] de fixação e de [[lexico:r:reproducao|reprodução]] da memória, e influi também na vontade, reforçando as vivências valorativas. Pelo contrário, a atenção inibe geralmente o curso das emoções, porque convergindo sobre a [[lexico:v:vivencia|vivência]] subjetiva enquanto tal, as bases cognitivas da [[lexico:e:emocao|emoção]] são desalojadas do foco central da consciência. Mórbida e funesta se torna, sob o [[lexico:i:influxo|influxo]] da [[lexico:a:angustia|angústia]], a concentração rígida da atenção quando se é vítima de ideias e impulsos obsessivos, como também a incapacidade patológica de concentrar a atenção em determinadas tarefas. — WlLLWOLL. A concentração do espírito sobre determinado objeto. — [[lexico:r:ribot|Ribot]] distinguiu a atenção espontânea ou automática, que não requer qualquer esforço, e a atenção voluntária ou refletida, que implica esforço [[lexico:p:pessoal|pessoal]]. A [[lexico:e:experiencia|experiência]] da atenção foi profundamente analisada por [[lexico:b:bergson|Bergson]] em A [[lexico:e:energia|energia]] espiritual ("o Esforço intelectual", 1902) e por W. [[lexico:j:james|James]] em o [[lexico:s:sentimento|sentimento]] do esforço (1880): constitui trabalho de amadurecimento cujo resultado deve ser um sentimento de clareza. Mas se o esforço depende de nós, por outro lado podemos apenas esperar a [[lexico:l:luz|luz]]. Este o caráter paradoxal da atenção: ser uma atividade pela qual trabalhamos para nos tornar passivos (S. [[lexico:w:weil|Weil]]). Neste sentido foi que escreveu [[lexico:m:malebranche|Malebranche]]: "A atenção é uma prece que endereçamos à divindade."