===== ASSOCIAÇÃO DE IDEIAS ===== A ligação automática de [[lexico:i:ideias:start|ideias]]. — Já se distinguiu a [[lexico:a:associacao:start|associação]] por contiguidade (o inverno evocando o frio), por [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] (um tapete verde evocando uma campina), por contraste (o branco evocando o preto). Foi [[lexico:s:stuart-mill:start|Stuart Mill]] [[lexico:q:quem:start|quem]] fez a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da associação das ideias. O [[lexico:a:associacionismo:start|associacionismo]] é a teoria que faz derivar as leis fundamentais do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] a partir de associações muitas vezes repetidas pela [[lexico:e:experiencia:start|experiência]]. É o que se chama uma teoria "empirista" do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]. [[lexico:b:bergson:start|Bergson]] criticou o associacionismo que, segundo ele, [[lexico:n:nao:start|não]] reconhecia a [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] que o espírito tem de [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] em todas as formas de [[lexico:c:criacao:start|criação]] (artística, [[lexico:m:moral:start|moral]] etc), e que não são uma cópia do que existe na experiência. — Em [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]], a [[lexico:a:analise:start|análise]] da associação das ideias num [[lexico:d:dado:start|dado]] [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] (particularmente tais como elas se produzem livremente durante o [[lexico:s:sonho:start|sonho]]) revela certas tendências psicológicas inconscientes, que constituem o fundo de nossa [[lexico:p:personalidade:start|personalidade]] que a [[lexico:p:psicanalise:start|psicanálise]] se propõe justamente a iluminar: o indivíduo se encontraria assim libertado de certas evocações automáticas que o perseguem, que perturbam suas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] com os outros homens e constituem os chamados "complexos". (in. Association of ideas; fr. Association des idées; al. Ideenassoziation; it. Associazione delle idea). Com essa [[lexico:e:expressao:start|expressão]], indica-se a conexão recíproca dos [[lexico:e:elementos:start|elementos]] da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]], conexão pela qual tais elementos, quaisquer que sejam, evocam-se uns aos outros, segundo uniformidades ou leis reconhecíveis. A semelhança, a continuidade e o contraste constituem as uniformidades ou leis fundamentais da associação, que já haviam sido reconhecidas por [[lexico:p:platao:start|Platão]] (Fed., 76 a) e por [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] (De [[lexico:m:memoria:start|memória]] et reminiscentia, II, 451 b 18-20). Em seguida, o [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] não atraiu mais a [[lexico:a:atencao:start|atenção]] dos filósofos até a Idade [[lexico:m:moderna:start|moderna]]. [[lexico:h:hobbes:start|Hobbes]], em Leviathan, dedica um capítulo (o III) à associação das imagens, mas foi [[lexico:l:locke:start|Locke]] quem criou a expressão "[[lexico:a:associacao-de-ideias:start|associação de ideias]]" e introduziu o fenômeno a ela [[lexico:r:relativo:start|relativo]] como [[lexico:p:principio:start|princípio]] de [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] da [[lexico:v:vida:start|vida]] da consciência. A importância que a associação adquire em Locke deriva do [[lexico:p:pressuposto:start|pressuposto]] [[lexico:a:atomistico:start|atomístico]] da sua [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]]: tudo o que a consciência é, nas suas várias manifestações, é pela combinação variada dos elementos [[lexico:s:simples:start|simples]] fornecidos pela experiência, isto é, das ideias. "Algumas das nossas ideias têm entre si [[lexico:c:correspondencia:start|correspondência]] e conexão [[lexico:n:natural:start|natural]], e a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] e a [[lexico:e:excelencia:start|excelência]] da nossa [[lexico:r:razao:start|razão]] estão em rastreá-las e mantê-las juntas na [[lexico:u:uniao:start|união]] e na correspondência que se fundam em serem elas naturais. Mas, afora isso, há outra associação de ideias que se deve ao [[lexico:a:acaso:start|acaso]] e ao [[lexico:h:habito:start|hábito]]" (Ensaio, II, 33, § 5). A tais combinações acidentais ou habituais de ideias devem-se alguns fenômenos aberrantes, como a [[lexico:l:loucura:start|loucura]], as simpatias ou antipatias irracionais, as superstições, etc. Mas nas associações naturais baseiam-se todas as [[lexico:o:operacoes-do-espirito:start|operações do espírito]] [[lexico:h:humano:start|humano]]: o conhecimento nos seus vários graus, a [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]], a [[lexico:v:vontade:start|vontade]], etc. Para Locke, todavia, a associação de ideias assume formas diferentíssimas. [[lexico:h:hume:start|Hume]] reduziu-as a três [[lexico:p:principios:start|princípios]] apenas: a semelhança, a contiguidade no [[lexico:t:tempo:start|tempo]] e no [[lexico:e:espaco:start|espaço]] e [[lexico:c:causa-e-efeito:start|causa e efeito]] (Inq. Conc. Underst, III). Abandonado em filosofia, depois de [[lexico:k:kant:start|Kant]], como princípio [[lexico:e:explicativo:start|explicativo]] de toda a vida espiritual, a associação permaneceu o princípio explicativo da psicologia científica desde a metade do séc. XIX até os princípios deste século. No período contemporâneo a [[lexico:p:psicologia-da-forma:start|psicologia da forma]] ou ges-taltismo impugnou o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] pressuposto atomista em que se fundava a teoria da associação. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}