===== ARISTOTELISMO ===== É a doutrina filosófica de [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] (384-322 a. C.) e de sua [[lexico:e:escola|escola]] (chamada [[lexico:l:liceu|Liceu]] ou Escala peripatética), que mais [[lexico:t:tarde|Tarde]], na Idade Média, se tornou dominante entre os Árabes (Averróis) e os Judeus (Moisés [[lexico:m:maimonides|Maimônides]]) e que, a partir do século XII, devido sobretudo a S. [[lexico:a:alberto-magno|Alberto Magno]] e a S. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], exerceu preponderante [[lexico:i:influencia|influência]] no Ocidente europeu, [[lexico:n:nao|não]] sem [[lexico:t:ter|ter]] sofrido alterações essenciais exigidas pelo [[lexico:d:dogma|dogma]] cristão ([[lexico:e:escolastica|escolástica]]). Aristóteles fundamenta a [[lexico:v:verdade|verdade]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] [[lexico:h:humano|humano]], não num [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:i:ideal|ideal]] [[lexico:t:transcendente|transcendente]] ([[lexico:p:platonismo|platonismo]]), separado das [[lexico:c:coisas|coisas]] da [[lexico:e:experiencia|experiência]], mas nas formas que as coisas contêm e que constituem o correlato [[lexico:r:real|real]] das [[lexico:i:ideias|ideias]] da [[lexico:m:mente|mente]] humana. Na [[lexico:f:formacao|formação]] e [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] do conhecimento humano cooperam a experiência [[lexico:s:sensivel|sensível]] e a [[lexico:a:abstracao|abstração]] do [[lexico:e:entendimento|entendimento]]. A [[lexico:f:filosofia-primeira|filosofia primeira]] ou [[lexico:m:metafisica|metafísica]], [[lexico:c:ciencia|ciência]] do [[lexico:s:ser|ser]] e de suas formas mais elevadas, ocupa o [[lexico:l:lugar|lugar]] de primazia no concerto de todas as ciências. O ser [[lexico:c:contingente|contingente]], [[lexico:s:sujeito|sujeito]] ao [[lexico:m:movimento|movimento]], ao [[lexico:d:devir|devir]] e ao perecer, consta de uma [[lexico:p:parte|parte]] constitutiva potencial e de outra [[lexico:a:atual|atual]], que são respectivamente a [[lexico:m:materia|matéria]] e a [[lexico:f:forma|forma]]. O devir não é a produção de algo inteiramente novo e não ainda existente, mas uma [[lexico:m:mudanca|mudança]] de [[lexico:e:essencia|essência]], enquanto a matéria, parte deter-minável, concebida como eterna e incriada, perde sua forma [[lexico:e:essencial|essencial]] precedente e recebe, por [[lexico:i:influxo|influxo]] de uma [[lexico:c:causa|causa]] eficiente, outra nova [[lexico:d:determinacao|determinação]] [[lexico:f:formal|formal]] ([[lexico:h:hilemorfismo|hilemorfismo]]). As opiniões divergem, quando se procura encontrar uma [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] mais exata destes [[lexico:e:elementos|elementos]], principalmente da forma, [[lexico:b:bem|Bem]] como mostrar a [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre esta [[lexico:e:explicacao|explicação]] e a [[lexico:a:atitude|atitude]] platônica. As formas constituem igualmente o [[lexico:f:fim|fim]] interno do ser ou "[[lexico:t:telos|telos]]" (donde: [[lexico:e:entelequia|enteléquia]]). Isto assume peculiar importância, quando aplicado aos [[lexico:p:principios|princípios]] formais do ser [[lexico:v:vivente|vivente]]: à [[lexico:a:alma|alma]] dos vegetais, dos animais e dos homens. A alma humana, una, exerce também as funções da [[lexico:v:vida-vegetativa|vida vegetativa]] e [[lexico:a:animal|animal]]. O [[lexico:h:homem|homem]] não tira de si, por um [[lexico:a:ato|ato]] criativo, o conhecimento intelectual, mas adquire-o mediante t influxo determinante dos sentidos; nesta [[lexico:o:operacao|operação]], em vez de se manter meramente [[lexico:p:passivo|passivo]], ele atua pela [[lexico:f:forca|força]] espontânea do [[lexico:i:intelecto-agente|intelecto agente]] (intelectus agens), distinto do [[lexico:i:intelecto-passivo|intelecto passivo]]. Só o [[lexico:i:intelecto|intelecto]] [[lexico:a:agente|agente]] é imortal; o homem não o recebe^por [[lexico:g:geracao|geração]]; vem-lhe "de fora". Os Árabes viram, no [[lexico:t:texto|texto]] [[lexico:o:obscuro|obscuro]] de Aristóteles, um [[lexico:m:monopsiquismo|monopsiquismo]]: a [[lexico:u:unidade|unidade]] do intellectus agens em todos os homens. No que tange à [[lexico:v:vida|vida]] volitiva, Aristóteles defende a [[lexico:l:liberdade|liberdade]] de opção, sem todavia distinguir claramente [[lexico:o:o-que-e|o que é]] livre do que é meramente voluntário Admite [[lexico:d:deus|Deus]] como Ato puríssimo ([[lexico:n:noesis|noesis]] goeseos = [[lexico:p:pensamento|pensamento]] do pensamento) e [[lexico:p:primeiro-motor|primeiro motor]] das esferas celestes. Permanece envolta em [[lexico:d:duvida|dúvida]] a [[lexico:n:natureza|natureza]] [[lexico:p:pessoal|pessoal]] de Deus. Nem este é o criador do [[lexico:u:universo|universo]]. Em [[lexico:e:etica|ética]], propõe como fim da vida humana a [[lexico:f:felicidade|felicidade]] ([[lexico:e:eudaimonia|eudaimonia]]), a qual consiste na prática da [[lexico:v:virtude|virtude]]; contudo, em sua forma mais elevada, a felicidade é descrita como [[lexico:a:atividade|atividade]] contemplativa da verdade. O [[lexico:p:prazer|prazer]] é apenas o [[lexico:e:eco|Eco]] da [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] alcançada. Na [[lexico:t:teoria|teoria]] [[lexico:p:politica|política]] defende a [[lexico:o:origem|origem]] [[lexico:n:natural|natural]] da [[lexico:f:familia|família]] e da [[lexico:c:comunidade|comunidade]] estatal, e rejeita o [[lexico:e:estado|Estado]] utópico de [[lexico:p:platao|Platão]] com a comunidade de [[lexico:m:mulheres|mulheres]] e de [[lexico:b:bens|bens]]. Aristóteles, via de [[lexico:r:regra|regra]], fundamenta suas doutrinas numa [[lexico:d:discussao|discussão]] exaustiva, cautelosa e histórico-crítica de seus predecessores, os [[lexico:p:pre-socraticos|pré-socráticos]] e especialmente Platão. — Schuster. (in. Aristotelianism; fr. Aristotélisme; al. Aristotelismus; it. Aristotelismó). Por [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:t:termo|termo]] entendem-se alguns fundamentos da doutrina de Aristóteles que passaram à [[lexico:t:tradicao|tradição]] filosófica ou que inspiraram as escolas ou os movimentos que se reportam mais diretamente ao [[lexico:p:proprio|próprio]] Aristóteles, como a [[lexico:e:escola-peripatetica|escola peripatética]], o aristotelismo árabe, o aristotelismo cristão medieval, o aristotelismo do [[lexico:r:renascimento|Renascimento]] e várias outras tendências do mundo medieval e [[lexico:m:moderno|moderno]]. Tais fundamentos podem ser resumidos da seguinte forma: 1) Importância atribuída por Aristóteles à natureza e o [[lexico:v:valor|valor]] e a [[lexico:d:dignidade|dignidade]] das indagações a ela dirigidas. Enquanto Platão pensava que tais indagações só poderiam atingir um [[lexico:g:grau|grau]] de [[lexico:p:probabilidade|probabilidade]] muito inferior ao [[lexico:c:conhecimento-cientifico|conhecimento científico]] (Tim., 29 c), Aristóteles considerava que [[lexico:n:nada|nada]] há na natureza tão insignificante que não valha a [[lexico:p:pena|pena]] ser estudado, já que, em todos os casos, o [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] [[lexico:o:objeto|objeto]] da [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] é a [[lexico:s:substancia|substância]] das coisas (v. substância). 2) [[lexico:c:conceito|conceito]] de metafísica como [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] primeira e teoria da substância, assim como [[lexico:f:fundamento|fundamento]] da enciclopédica completa das ciências (v. metafísica). 3) Doutrina das [[lexico:q:quatro|Quatro]] [[lexico:c:causas|causas]] (formal, material, eficiente, final) doutrina do movimento, como passagem da [[lexico:p:potencia|potência]] ao ato, que permitiram a interpretação de toda a [[lexico:r:realidade|realidade]] natural (v. os verbetes correspondentes). 4) [[lexico:t:teologia|teologia]] com seu conceito do Primeiro Motor e do [[lexico:a:ato-puro|ato puro]] (v. Deus). 5) Doutrina da essência [[lexico:s:substancial|substancial]] ou necessária como base da [[lexico:t:teoria-do-conhecimento|teoria do conhecimento]] e da [[lexico:l:logica|lógica]] (v. alma; essência, ser). 6) Importância atribuída à lógica, cujo primeiro expositor [[lexico:s:sistematico|sistemático]] é Aristóteles, como [[lexico:i:instrumento|instrumento]] de [[lexico:t:todo|todo]] conhecimento científico (v. conceito; lógica; [[lexico:s:silogismo|silogismo]]; [[lexico:t:topica|Tópica]]; etc). As várias correntes do aristotelismo só se reportaram, habitualmente, a alguns desses fundamentos; isso explica por que o aristotelismo ora apareceu como metafísica teológica (na escolástica medieval), ora como [[lexico:n:naturalismo|naturalismo]] (no Renascimento), ora como [[lexico:e:espiritualismo|espiritualismo]] (em algumas interpretações modernas, p. ex., as de Ravaisson e [[lexico:b:brentano|Brentano]]).