===== APRENDIZAGEM ===== (gr. [[lexico:m:mathesis|mathesis]]; in. Learning; fr. Apprendre; al. Erlernung; it. Apprendimentó). Aquisição de uma [[lexico:t:tecnica|técnica]] qualquer, [[lexico:s:simbolica|simbólica]], emotiva ou de [[lexico:c:comportamento|comportamento]], ou seja, [[lexico:m:mudanca|mudança]] nas respostas de um [[lexico:o:organismo|organismo]] ao [[lexico:a:ambiente|ambiente]], que melhore tais respostas com vistas à conservação e ao [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] do [[lexico:p:proprio|próprio]] organismo. [[lexico:e:esse|esse]] é o [[lexico:c:conceito|conceito]] que a [[lexico:p:psicologia|psicologia]] [[lexico:m:moderna|moderna]] dá de aprendizagem, apesar da variedade de teorias que apresenta. Esse conceito, [[lexico:a:alem|além]] disso, [[lexico:n:nao|não]] é senão a [[lexico:g:generalizacao|generalização]] de uma [[lexico:n:nocao|noção]] antiquíssima de aprendizagem, considerado como [[lexico:f:forma|forma]] de [[lexico:a:associacao|associação]]. Foi [[lexico:p:platao|Platão]] o primeiro a ilustrar essa noção com sua [[lexico:t:teoria|teoria]] da [[lexico:a:anamnese|anamnese]]: "Sendo toda a [[lexico:n:natureza|natureza]] congênita e tendo a [[lexico:a:alma|alma]] aprendido tudo, [[lexico:n:nada|nada]] impede que [[lexico:q:quem|quem]] se lembre de uma só [[lexico:c:coisa|coisa]] — que é o que se chama aprender — encontre em [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] [[lexico:t:todo|todo]] o resto, se tiver constância e não desistir da procura, porque procurar e aprender nada mais são do que [[lexico:r:reminiscencia|reminiscência]]" (Men., 81 d). O aprendizagem é, segundo Platão, devido à associação das [[lexico:c:coisas|coisas]] entre si, pela qual a alma pode, após haver captado uma coisa, captar também a outra que a esta se encontra vinculada. Não foi substancialmente diferente a teoria proposta por [[lexico:h:herbart|Herbart]]: o aprendizagem é [[lexico:a:apercepcao|apercepção]]. A apercepção, para Herbart, é o [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] pelo qual uma "[[lexico:m:massa|massa]] de representações" acolhe em si uma nova [[lexico:r:representacao|representação]] que pode, de algum [[lexico:m:modo|modo]], ligar-se àquelas (Psychol. als Wissenschaft, 1824, II, 125 ss.). Teoria [[lexico:s:semelhante|semelhante]] foi exposta e ilustrada por [[lexico:w:wundt|Wundt]] (Grundriss der Psychologie, 1896, p. 249 ss.), e de Wundt passou a toda a psicologia psicofísica. Na psicologia contemporânea, o mesmo conceito de aprendizagem como associação foi ilustrado e posto em novas bases por Thorndike, que formulou sua doutrina com base na [[lexico:o:observacao|observação]] de organismos animais, mas cujas conclusões logo foram estendidas ao [[lexico:h:homem|homem]]. Segundo Thorndike, o aprendizagem é um [[lexico:p:processo|processo]] de tentativas e erros Trial and Error), guiado pela [[lexico:o:operacao|operação]] de prêmio e [[lexico:p:punicao|punição]]. As primeiras reações a uma [[lexico:s:situacao|situação]] [[lexico:p:problematica|problemática]] são dadas ao [[lexico:a:acaso|acaso]]. Quando uma dessas reações obtém êxito, é escolhida nas tentativas seguintes, logrando enfim eliminar as outras. Thorndike formulou a chamada [[lexico:l:lei|lei]] do [[lexico:e:efeito|efeito]], segundo a qual a resposta a um [[lexico:e:estimulo|estímulo]] é reforçada se seguida por um prêmio. Segundo Thorndike, esses dois fatores, a [[lexico:r:repeticao|repetição]] da [[lexico:r:reacao|reação]] adivinhada e o prêmio, bastam para [[lexico:e:explicar|explicar]] todos os processos do aprendizagem e, portanto, toda a [[lexico:c:conduta|conduta]] do homem (cf. [[lexico:a:animal|animal]] Intelligence. [[lexico:e:experimental|experimental]] Studies, 1911; The Psychology of Wants, Interests and Attitudes, 1935, esp. p. 24). Mais recentemente, as mesmas [[lexico:i:ideias|ideias]] foram generalizadas por Hull, que insistiu nos móveis do aprendizagem, vendo neles um [[lexico:e:estado|Estado]] de [[lexico:n:necessidade|necessidade]]. Um estímulo condicionado pode permanecer ligado a uma resposta que o segue só se esta produzir uma [[lexico:d:diminuicao|diminuição]] da necessidade (Principles of Behavior, 1943). Se essa doutrina é ou não suficiente para explicar o aprendizagem [[lexico:h:humano|humano]], é coisa em que os psicólogos não estão de [[lexico:a:acordo|acordo]] (cf. a [[lexico:d:discussao|discussão]] respectiva em E. R. Hilgard, Theories of Learning, 1948). A [[lexico:d:duvida|dúvida]] diz [[lexico:r:respeito|respeito]] ao [[lexico:p:problema|problema]] de [[lexico:s:saber|saber]] se o aprendizagem consiste simplesmente em dar respostas adivinhadas ou se também implica a [[lexico:e:escolha|escolha]] inteligente de tais respostas com base em determinados porquês. Parece difícil excluir do processo humano do aprendizagem as opções inteligentes guiadas pelas [[lexico:r:relacoes|relações]] expressas pelos sinais "se", "mas", "como", "apesar de", etc. Desse [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista, o [[lexico:f:fato|fato]] de o homem entender a [[lexico:r:relacao|relação]] entre os sinais e as respostas é um [[lexico:e:elemento|elemento]] do aprendizagem irredutível à pura lei do efeito (cf. M. Wertheimer, Productive Thinking, 1945).