===== APRENDIZADO DA VIRTUDE ===== VIDE [[lexico:a:aprendizagem|aprendizagem]] Cumpre levantar o [[lexico:p:problema|problema]] da acessibilidade ou inacessibilidade à [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] extrema da [[lexico:e:excelencia|excelência]] (ἀρετή ) compreendida como [[lexico:e:escolha|escolha]] tomada de antemão ou resolução decisiva de uma determinada [[lexico:s:situacao|situação]] (πρᾶξις ). A [[lexico:q:questao|questão]] é tanto mais [[lexico:p:problematica|problemática]], quanto [[lexico:p:platao|Platão]] parece defender teses diferentes nas passagens dos [[lexico:d:dialogos|diálogos]] que focam o problema [Cf. Josef Moural, On the Teachability of Arete in Pinto, Filozof Cas, 1990, pp. 463-480.]. A [[lexico:p:pergunta|pergunta]] pelo [[lexico:a:acesso|acesso]] ao [[lexico:s:sentido|sentido]] da excelência (ἀρετή) pretende [[lexico:s:saber|saber]] concomitantemente se ela é ou [[lexico:n:nao|não]] «ensinável», «exercitável», «apreensível», se é «por [[lexico:n:natureza|natureza]]» ou é «de qualquer [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:m:modo|modo]]» que ela «surge no [[lexico:h:humano|humano]]» [Prot., 319a e seg.]. O [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] e a [[lexico:r:repeticao|repetição]] destas questões no [[lexico:p:protagoras|Protágoras]], a saber, se a excelência (ἀρετή) é ou não um «conteúdo de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] comunicável» (διδακτόν μάθημα ), são rejeitados por [[lexico:s:socrates|Sócrates]]. A excelência (ἀρετή) não pode [[lexico:s:ser|ser]] fornecida aos homens por outros homens. Ela não se constitui por natureza (φύσει ) nem de uma [[lexico:f:forma|forma]] espontânea. Esta dissensão de opiniões permite uma focagem das estruturas elementares, de cuja tematização depende uma verdadeira circunscrição do sentido da excelência (ἀρετή). Ela serve para fazer perceber que a excelência (ἀρετή) não está disponível no modo como naturalmente nos temos a nós, nem no modo [[lexico:c:como-se|como se]] processa a nossa [[lexico:r:relacao|relação]] com os outros ou com os acontecimentos que nos afetam. No [[lexico:h:horizonte|horizonte]] [[lexico:n:natural|natural]] em que nos encontramos não temos qualquer possibilidade de aceder ao horizonte em que a excelência (ἀρετή) eclode. A excelência (ἀρετή) não é nenhum conteúdo de aprendizagem (μάθημα), porquanto a situação de aprendizagem do que possa ser [[lexico:e:esse|esse]] conteúdo não se pode concretizar em enunciados que o descrevam. A pergunta pela excelência (ἀρετή) não é feita como se faz uma pergunta por um qualquer outro conteúdo de saber. A pergunta pela excelência (ἀρετή) tem de ser levantada a partir da [[lexico:e:experiencia|experiência]] urgente da [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de saber o que há a fazer, quando aparentemente todas as possibilidades de [[lexico:v:vida|vida]] estão perdidas. A situação (πρᾶξις) em que nos encontramos com a necessidade de saber o que fazer não é nem a situação mais ou menos tranquila em que nos apropriamos de um qualquer conteúdo do saber (μάθημα) ou obtemos um qualquer [[lexico:b:bom|Bom]] conselho acerca do que quer que seja para nos tomarmos bons cidadãos, mas antes é uma situação na qual [[lexico:n:nada|nada]] se vê, tudo é [[lexico:i:impossibilidade|impossibilidade]]. [CaeiroArete:50-51]