===== APODÍTICA ===== (lat. apodictica; al. Apodiktik; it. Apodittica). [[lexico:p:parte|parte]] da [[lexico:l:logica|lógica]] que tem por [[lexico:o:objeto|objeto]] a [[lexico:d:demonstracao|demonstração]]. [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:n:nome|nome]] foi usado por alguns lógicos do séc. XVII, como p. ex. Jungius. "Entre as partes especiais da lógica", dizia ele, "precede por [[lexico:d:dignidade|dignidade]] a que tem por objeto a [[lexico:v:verdade|verdade]] necessária, isto é, a verdade propriamente dita, e que nos conduz através da [[lexico:a:apodixe|apodixe]], isto é, a demonstração à [[lexico:c:ciencia|ciência]], de [[lexico:m:modo|modo]] que é justamente chamada de apodítica ou epistemônica" (Logica hamburgensis, 1638, IV, cap. I, § 1). Esse nome depois foi raramente usado (cf., p. ex., Bouterwek, Ideen zu einer Apodiktik, 1799). (Do grego apodeiktikós = demonstrativo). a) Usada em Lógica por [[lexico:o:oposicao|oposição]] a assertórico e a [[lexico:p:problematico|problemático]]. b) Empregado por [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], que chamava ao [[lexico:p:processo|processo]] de [[lexico:p:prova|prova]] que deduz uma [[lexico:p:proposicao|proposição]] de outra, que lhe é [[lexico:s:superior|superior]], na qual se acha implicitamente incluída. Aristóteles fazia uma [[lexico:d:distincao|distinção]] entre as proposições susceptíveis de [[lexico:s:ser|ser]] contraditadas, ou sujeitas às discussões dialéticas, e as que são o resultado de uma demonstração. A estas últimas chamava de apodíticas. c) Usada, depois, por [[lexico:k:kant|Kant]], que a divulgou na [[lexico:c:classificacao|classificação]] das três modalidades dos juízos (Vide [[lexico:m:modalidade|modalidade]]). Kant emprega-a no [[lexico:s:sentido|sentido]] dos juízos que estão acima de qualquer [[lexico:c:contradicao|contradição]], que são necessariamente verdadeiros (em oposição aos assertóricos, e aos problemáticos). O [[lexico:j:juizo|juízo]] assertórico é o que afirma algo existente, uma verdade de [[lexico:f:fato|fato]]. O juízo [[lexico:a:apoditico|apodítico]]. a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] do afirmado, quer a necessidade [[lexico:f:fisica|física]] (própria das leis. cuja [[lexico:n:negacao|negação]] [[lexico:n:nao|não]] implica contradição), [[lexico:m:matematica|matemática]] ou [[lexico:m:metafisica|metafísica]], que é uma necessidade incondicionada ou absoluta. O juízo problemático caracteriza-se pela [[lexico:c:contingencia|contingência]] de seu [[lexico:e:enunciado|enunciado]]. Assim: «hoje chove» é um juízo assertórico; «os corpos pesados devem cair» é um juízo apodítico (de [[lexico:o:ordem|ordem]] física); «o [[lexico:t:todo|todo]] é necessariamente maior que qualquer de suas partes», é um juízo apodítico de necessidade matemática; «o [[lexico:a:antecedente|antecedente]] é necessariamente anterior ao [[lexico:c:consequente|consequente]]» é um juízo apodítico de necessidade metafísica. Chama-se apodíctico àquilo que vale de um modo [[lexico:n:necessario|necessário]] e [[lexico:i:incondicionado|incondicionado]]. O [[lexico:t:termo|termo]] “apodíctico” usa-se na lógica, com dois sentidos. Por um lado, refere-se ao [[lexico:s:silogismo|silogismo]], por [[lexico:o:outro|outro]], à proposição e ao juízo. 1: O apodíctico no silogismo: nos [[lexico:t:topicos|Tópicos]], Aristóteles dividiu os silogismos em três espécies: os apodícticos, os dialécticos e os sofísticos ou erísticos. O silogismo apodíctico é o silogismo cujas premissas são verdadeiras, e tais que “o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] que temos delas tem a sua [[lexico:o:origem|origem]] em premissas primeiras e verdadeiras”. Esse silogismo chama-se também comumente demonstrativo. : O apodíctico na proposição e no juízo: como uma das espécies das proposições [[lexico:m:modais|modais]], as proposições apodícticas expressam a necessidade, isto é, a necessidade de que s seja p ou a [[lexico:i:impossibilidade|impossibilidade]] de que s não seja p. O termo “apodíctico”, na proposição e no juízo, não foi usado pelos lógicos de [[lexico:t:tendencia|tendência]] tradicional e tem vigência [[lexico:g:geral|geral]] a partir de Kant. O emprego mais conhecido é o que se encontra no quadro dos juízos como [[lexico:f:fundamento|fundamento]] do quadro das [[lexico:c:categorias|categorias]]. Segundo a primeira, os juízos apodíctico são uma das três espécies de juízos de modalidade. Os juízos apodícticos são juízos logicamente necessários, expressos sob a [[lexico:f:forma|forma]] “s é necessariamente p”, ao contrário dos juízos assertóricos ou de [[lexico:r:realidade|realidade]] ou dos juízos problemáticos ou de contingência ([[lexico:c:critica|Crítica]] da [[lexico:r:razao|Razão]] Pura). Um [[lexico:u:uso|uso]] menos conhecido de apodíctico, em Kant, é o que aplica esse termo a proposições que estejam unidas à [[lexico:c:consciencia|consciência]] da sua necessidade. Os [[lexico:p:principios|princípios]] da matemática são, segundo Kant, apodícticos. as proposições apodícticas são, em parte, “demonstráveis”, e, em parte, “imediatamente certas”.