===== APHTHARTOS ===== áphthartos: indestrutível; para a indestrutibilidade da [[lexico:a:alma|alma]], cf. [[lexico:a:athanatos|athanatos]] 1. Na [[lexico:d:discussao|discussão]] aristotélica dos possíveis significados do [[lexico:t:termo|termo]] (De coelo I, 280b) ele aceita como primacial [[lexico:c:conotacao|conotação]] «aquilo que existe e que [[lexico:n:nao|não]] pode [[lexico:s:ser|ser]] destruído, i. e., deixará ou pode deixar de [[lexico:e:existir|existir]]», e enquanto encontra [[lexico:a:acordo|acordo]] entre os seus predecessores sobre o [[lexico:f:fato|fato]] de o [[lexico:m:mundo|mundo]] ser um [[lexico:p:produto|produto]] de getiesis ([[lexico:v:ver|ver]] [[lexico:a:agenetos|agenetos]]), há aqueles que estão dispostos a admitir a sua [[lexico:d:destruicao|destruição]] (ibid. I, 279b). Entre estes últimos há alguns que postulam uma única destruição e outros que sustentam que a destruição do [[lexico:k:kosmos|kosmos]] é periódica. [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] não especifica [[lexico:q:quem|quem]] faz [[lexico:p:parte|parte]] do primeiro [[lexico:g:grupo|grupo]], mas Simplício, ao comentar este passo, identifica-os como sendo os [[lexico:a:atomistas|atomistas]] e essa identificação parece [[lexico:p:provavel|provável]] (ver Diels, frgs. 67A1, 68 A40; confrontar [[lexico:e:epicuro|Epicuro]] in D. L. X,73 e Lucrécio, De rerum nat. V, 235 ss.). Entre os que propõem a destruição cíclica Aristóteles nomeia [[lexico:e:empedocles|Empédocles]], cuja [[lexico:t:teoria|teoria]] da [[lexico:m:mistura|mistura]] dos [[lexico:q:quatro-elementos|quatro elementos]] através do [[lexico:a:amor|amor]] e da [[lexico:l:luta|luta]] é de fato cíclica (frg. 17, linhas 1-13), e [[lexico:h:heraclito|Heráclito]]. A [[lexico:p:posicao|posição]] de Heráclito é muito mais obscura; o frg. 30 nega qualquer dissolução do kosmos e [[lexico:p:platao|Platão]] faz especificamente a [[lexico:d:distincao|distinção]] entre a posição de Empédocles e a de Heráclito no que respeita à destruição do kosmos (Soph. 242d). Há, por [[lexico:o:outro|outro]] lado, passos em autores posteriores que sugerem que Heráclito defendeu uma doutrina da conflagração periódica (of. [[lexico:e:ekpyrosis|ekpyrosis]]). À primeira vista também Fílon parece defender a destrutibilidade do kosmos (De opif. 7); mas o seu [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista baseia-se numa distinção que se encontra em Platão; no [[lexico:t:timeu|Timeu]] 41a-b, ao [[lexico:f:falar|falar]] dos [[lexico:d:deuses|deuses]] celestes (oitranioi), Platão diz que a [[lexico:u:uniao|união]] dos seus corpos e almas podia ser dissolvida mas eles não o serão por serem [[lexico:o:obra|obra]] do [[lexico:d:demiourgos|demiourgos]]. De [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:s:semelhante|semelhante]], Fílon sente que o kosmos, embora naturalmente destrutível, não será destruído graças a um apoio [[lexico:d:divino|divino]] providencial (De Decalogo 58). 2. Um [[lexico:a:argumento|argumento]] semelhante aparece em [[lexico:p:plotino|Plotino]] [[lexico:e:eneadas|Eneadas]] II, 1, 3-4, onde é a Alma que mantém o kosmos eternamente unido; mas aqui a [[lexico:r:relacao|relação]] não é a relação providencial e volitiva que se encontra em Fílon, fundamenta-se antes no [[lexico:e:elemento|elemento]] mimético da [[lexico:t:tradicao|tradição]] platônica, o [[lexico:t:tempo|tempo]] é uma [[lexico:e:eikon|eikon]] da [[lexico:e:eternidade|Eternidade]] ([[lexico:a:aion|aion]]) e este mundo é uma [[lexico:r:reflexao|reflexão]] do [[lexico:u:universo|universo]] [[lexico:i:inteligivel|inteligível]] ([[lexico:k:kosmos-noetos|kosmos noetos]]); [[lexico:a:alem|além]] disso, a [[lexico:c:criacao|criação]] no [[lexico:s:sentido|sentido]] de «[[lexico:p:processao|processão]]» (ver [[lexico:p:proodos|proodos]]) e «[[lexico:r:retorno|retorno]]» (ver [[lexico:e:epistrophe|epistrophe]]) faz com que sejam perduráveis na [[lexico:n:natureza|natureza]].