===== APARIÇÕES ===== A [[lexico:a:analise:start|análise]] platônica do [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] da [[lexico:i:imitacao:start|imitação]] reprodutora (μίμησις ) aponta para o [[lexico:f:fato:start|fato]] absolutamente espantoso de a sua [[lexico:a:acao:start|ação]] [[lexico:n:nao:start|não]] se circunscrever só aos mais diversos campos da [[lexico:r:reproducao:start|reprodução]] artística, mas extravasar para fora do domínio da [[lexico:r:realidade:start|realidade]] no seu [[lexico:t:todo:start|todo]]. Ou seja, a [[lexico:a:atividade:start|atividade]] artística de um pintor exacerba esta nossa instalação do olhar. Ao retratar as diversas aparições nas quais uma determinada [[lexico:c:coisa:start|coisa]] nos surge, um pintor não faz mais do que reproduzir o que já na óptica [[lexico:n:natural:start|natural]] acontece. Também nós só vemos aparições de [[lexico:c:coisas:start|coisas]], embora achemos que estamos habitualmente confrontados com a própria coisa em si mesma. O que passa, então, a declarar-se pela análise do fenômeno da imitação reprodutora (μίμησις) é que o seu [[lexico:c:campo:start|campo]] de ação não é o âmbito restrito da atividade artística mas que é o fato de a nossa [[lexico:v:vida:start|vida]] assentar sobre uma [[lexico:p:perspectiva:start|perspectiva]] de imitação (μίμησις). A partir do confronto com esta [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] percebemos que não produzimos qualquer acompanhamento do [[lexico:s:sentido:start|sentido]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] (φύσις ) de cada coisa . A análise inicial do fenômeno da reprodução (μίμησις) é feita a partir da tematização da [[lexico:e:essencia:start|essência]] de cada coisa na sua [[lexico:i:individualidade:start|individualidade]] [República, 596a6], da natureza essencial (φύσις) de cada coisa, mas circunscrita ao âmbito daquilo a que modernamente chamamos a realidade externa e objetiva. O [[lexico:h:horizonte:start|horizonte]] tematizado deixara fora de [[lexico:j:jogo:start|jogo]] a procura do [[lexico:m:modo:start|modo]] como cada coisa em [[lexico:g:geral:start|geral]] e o [[lexico:h:humano:start|humano]] em [[lexico:p:particular:start|particular]] podem [[lexico:s:ser:start|ser]] «excelentes». A [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] sobre um tal sentido ultrapassa os requisitos mínimos indispensáveis à identificação da natureza de qualquer coisa e tem de [[lexico:t:ter:start|ter]] em vista os limites organização-ordenação (τάξις-κόσμος ) versus desorganização-desordenação (ἀταξία-ἀκοσμία ) dos quais depende o apuramento da [[lexico:e:excelencia:start|excelência]] (ἀρετή ) ou da perversão (κακία ) de um determinado [[lexico:e:ente:start|ente]]. Se já no nível elementar da pergunta pela natureza essencial (φύσις) dos entes há uma enorme dificuldade em anular a dependência da nossa perspectiva de um fenômeno de reprodução (μίμησις), muito mais difícil é responder à pergunta sobre sentido da excelência (ἀρετή) , uma vez que o horizonte em que ela se configura é definido a partir de limites completamente diferentes. O horizonte em que se pode perguntar pela excelência (ἀρετή) humana é o da [[lexico:s:situacao:start|situação]] em que o humano existe no seu modo de ser (πρᾶξις ) [É no horizonte da πρᾶξις que se pergunta pelas possibilidades e potenciais máximos do humano para além da condição necessária de estar em vida.]. A [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de análise deste horizonte depende da tematização de uma [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] fenomênica diferente daquela que está presente na análise das coisas do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] natural. [CaeiroArete:63-64] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}