===== ANTINOMIA ===== Entende-se por antinomia a [[lexico:c:contradicao|contradição]] [[lexico:a:aparente|aparente]] entre proposições demonstradas ou a contradição [[lexico:r:real|real]] entre proposições aparentemente demonstradas. A [[lexico:a:aparencia|aparência]] de contradição pode [[lexico:s:ser|ser]] objetivamente fundada, quando se trata de objetos que por nós só podem ser conhecidos analogicamente. A resolução da antinomia mostra precisamente que [[lexico:n:nao|não]] se trata de contradição [[lexico:f:formal|formal]], mas não dá a conhecer como os objetos estão entre si reciprocamente relacionados. Assim, p. ex., os [[lexico:c:conceitos|conceitos]] da [[lexico:i:imutabilidade|imutabilidade]] e da [[lexico:l:liberdade|liberdade]] divinas ([[lexico:l:liberdade-de-deus|liberdade de Deus]]), se retamente compreendidos, não se excluem necessariamente, sem que todavia por isso possa ser compreendida, de [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:p:positivo|positivo]], a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de sua [[lexico:c:coexistencia|coexistência]]. Segundo [[lexico:k:kant|Kant]], a [[lexico:r:razao|razão]] humana cai irremediavelmente em contradições, desde que aplica seu [[lexico:p:principio|princípio]] da [[lexico:u:unidade|unidade]] incondicionada ao [[lexico:m:mundo|mundo]] dos fenômenos. A [[lexico:i:investigacao|investigação]] destas necessárias contradições e de suas [[lexico:c:causas|causas]] chama-se [[lexico:a:antitetica|antitética]], e à contradição dá-se o [[lexico:n:nome|nome]] de antinomia. A primeira antinomia (da [[lexico:q:quantidade|quantidade]]) refere-se à finidade ou infinidade espacial e [[lexico:t:temporal|temporal]] do mundo: o mundo tem, ou não tem, [[lexico:c:comeco|começo]] temporal e possui, ou não possui limites no [[lexico:e:espaco|espaço]]. A segunda antinomia (da [[lexico:q:qualidade|qualidade]]) refere-se à [[lexico:d:divisao|divisão]] de um [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:f:fenomenico|fenomênico]] [[lexico:d:dado|dado]]: toda (nenhuma) [[lexico:s:substancia|substância]] composta consta de partes [[lexico:s:simples|simples]]. A terceira antinomia (da [[lexico:r:relacao|relação]]) diz [[lexico:r:respeito|respeito]] ao modo de [[lexico:c:causalidade|causalidade]] produtora dos fenômenos: a causalidade segundo as leis naturais (em [[lexico:o:oposicao|oposição]] à causalidade proveniente da liberdade) é (ou não é) a única da qual podem ser derivados os fenômenos globalmente considerados. A quarta antinomia (da [[lexico:m:modalidade|modalidade]]) refere-se à [[lexico:e:existencia|existência]] de um ser [[lexico:n:necessario|necessário]]: um ser absolutamente necessário está (ou não está) implicado no mundo como [[lexico:p:parte|parte]] ou [[lexico:c:causa|causa]] dele. As demonstrações nas duas primeiras [[lexico:a:antinomias|antinomias]] (denominadas matemáticas) pressupõem, segundo Kant, que o mundo ([[lexico:s:suma|suma]] de todos os fenômenos) é um todo em si existente. Como, porém, esta [[lexico:p:pressuposicao|pressuposição]] é falsa, falsas são igualmente as conclusões. A oposição destas antinomias é, não contraditória, mas contrária. — Solução da primeira antinomia: o mundo como [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] (o qual só é dado no [[lexico:r:regresso|regresso]] [[lexico:e:empirico|empírico]] a condições empíricas) não é [[lexico:i:infinito|infinito]] nem [[lexico:f:finito|finito]]; quer dizer, o regresso empírico pode ser prolongado (in indefinitum) a partir de qualquer [[lexico:p:ponto|ponto]] alcançado. — Solução da segunda antinomia: todas as partes de um todo são certamente dadas na [[lexico:i:intuicao|intuição]], nunca porém a divisão total, a qual (no que se refere ao [[lexico:p:puro|puro]] fenômeno no espaço) pode prosseguir in indefinitum. Enquanto nas antinomias matemáticas o retrocesso obedecia necessariamente a condições homogêneas, sensíveis, nas antinomias dinâmicas (terceira e quarta) pode admitir-se também um retrocesso a uma [[lexico:c:condicao|condição]] heterogênea, puramente [[lexico:i:inteligivel|inteligível]] (acessível à razão), de [[lexico:s:sorte|sorte]] que tanto a [[lexico:t:tese|tese]] como a [[lexico:a:antitese|antítese]] podem ser verdadeiras. — Solução da terceira antinomia: todos os fenômenos estão mutuamente entrelaçados segundo uma [[lexico:r:regra|regra]] (causalidade da [[lexico:n:natureza|natureza]]), mas possivelmente têm causas, que não são fenômenos nem, por conseguinte, determinadas pelos fenômenos em sua causalidade (causalidade da liberdade). — Solução da quarta antinomia: na suma de todos os fenômenos não pode certamente ser encontrado nenhum ser necessário. Contudo não repugna que a [[lexico:s:serie|série]] total do mundo [[lexico:s:sensivel|sensível]] dependa de um ser necessário, que resida fora dela. Sem [[lexico:d:duvida|dúvida]] é [[lexico:i:impossivel|impossível]] inferir dos fenômenos a existência de tal ser, uma vez que os fenômenos são apenas representações. [[lexico:c:critica|Crítica]]: É mister conceder que as antinomias se fundam na dupla natureza de nossa razão, a qual, por um lado, enquanto razão, se dirige ao [[lexico:i:incondicionado|incondicionado]] do ser como tal, e, por [[lexico:o:outro|outro]] lado, enquanto razão humana, se encontra primariamente circunscrita às [[lexico:c:coisas|coisas]] sensíveis, de sorte que, mesmo quando se eleva acima destas, utiliza, em sua maneira de conceber, os objetos corpóreos como [[lexico:m:modelo|modelo]]. A solução das antinomias mediante a [[lexico:d:distincao|distinção]] entre coisas em si e fenômenos contém igualmente um germe de [[lexico:v:verdade|verdade]], pois [[lexico:o:o-que-e|o que é]] válido das coisas como fenômenos (objetos dos sentidos) não é válido incondicionalmente dos mesmos objetos como coisas em si (objetos da razão). Assim não resta dúvida que o mundo visível, como um todo, nunca pode ser [[lexico:o:objeto|objeto]] de uma [[lexico:e:experiencia|experiência]], como nem a divisão completa de algo extenso pode ser levada a cabo em alguma experiência. Todavia Kant vai demasiado longe, quando reduz os fenômenos a puras representações em vez de con-sideiá-los como [[lexico:r:reflexos|reflexos]] de coisas em si. Nesta [[lexico:h:hipotese|hipótese]], uma causalidade oriunda da liberdade e um ser necessário seriam não só possíveis, como também exigíveis pela razão. — A solução da terceira antinomia é insuficiente. VIDE liberdade. — [[lexico:c:criticismo|criticismo]]. — [[lexico:b:brugger|Brugger]]. a) Contradição [[lexico:l:logica|lógica]] entre dois [[lexico:p:principios|princípios]] igualmente justificados, ou entre conclusões corretamente deduzidas de premissas incontestáveis. O [[lexico:t:termo|termo]] adquiriu um [[lexico:u:uso|uso]] [[lexico:g:geral|geral]], desde que Kant se serviu dele para indicar a condição em que se acha a [[lexico:r:razao-pura|razão pura]] ao desenvolver os fundamentos da Cosmologia [[lexico:r:racional|racional]], chegando a contradições (para ele), cujo conjunto ele chama de «[[lexico:a:antinomias-da-razao-pura|antinomias da razão pura]]». b) Na [[lexico:e:etica|ética]] kantiana, também encontramos uma «antinomia da [[lexico:r:razao-pratica|razão prática]]» que consiste no [[lexico:f:fato|fato]] da [[lexico:f:felicidade|felicidade]] e da [[lexico:v:virtude|virtude]], ambas envoltas na [[lexico:i:ideia|ideia]] do Supremo [[lexico:b:bem|Bem]], e por isso objetivos da [[lexico:v:vontade|vontade]] [[lexico:m:moral|moral]], serem conceitos independentes e irredutíveis, um ao outro, formando uma antinomia, que, por Kant, é resolvida pela [[lexico:r:referencia|referência]] ao [[lexico:p:postulado|postulado]] da [[lexico:e:existencia-de-deus|existência de Deus]]. c) Há, em Kant, também, uma antinomia do [[lexico:j:juizo|juízo]] [[lexico:t:teleologico|teleológico]], relativa ao [[lexico:m:mecanismo|mecanismo]] e à [[lexico:f:finalidade|finalidade]], como ainda uma antinomia do [[lexico:g:gosto|gosto]]. d) A [[lexico:e:expressao|expressão]] «antinomia [[lexico:s:social|social]]» visa o conflito entre a [[lexico:c:consciencia|consciência]] individual do [[lexico:d:dever|dever]] e as exigências práticas da [[lexico:s:sociedade|sociedade]]. e) Na [[lexico:t:teologia|teologia]] Moral e no [[lexico:d:direito|direito]], chama-se antinomia, a contradição entre duas leis, quando aplicadas, praticamente, a um caso [[lexico:p:particular|particular]].