===== ANIMISMO ARISTOTÉLICO ===== No capítulo I do [[lexico:d:de-anima:start|De anima]], que é o [[lexico:t:texto:start|texto]] decisivo para a [[lexico:d:definicao:start|definição]] da [[lexico:a:alma:start|alma]], procede [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] a [[lexico:m:modo:start|modo]] de colocação nas grandes [[lexico:c:categorias:start|categorias]] do [[lexico:s:ser:start|ser]]. [[lexico:p:parte:start|parte]] do [[lexico:f:fato:start|fato]] de que o [[lexico:v:vivente:start|vivente]] aparece no [[lexico:m:mundo:start|mundo]] como um ser corporal. Eis então como Aristóteles raciocina. A [[lexico:s:substancia:start|substância]], que é a [[lexico:c:categoria:start|categoria]] primeira, é espiritual ou corporal. A substância corporal, que nos é a mais manifesta, é, por sua vez; artificial ou [[lexico:n:natural:start|natural]]. Enfim, entre as [[lexico:s:substancias:start|substâncias]] corporais naturais, algumas são inanimadas enquanto outras têm [[lexico:v:vida:start|vida]]. O que são estas justamente? Sendo reconhecido que em toda substância corporal há três [[lexico:c:coisas:start|coisas]], a [[lexico:s:saber:start|saber]] a [[lexico:m:materia:start|matéria]], a [[lexico:f:forma:start|forma]] e o [[lexico:c:composto:start|composto]], será preciso dizer: que a alma [[lexico:n:nao:start|não]] pode ser matéria ou [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]], pois a vida surge como uma [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] especificando o sujeito; que não pode tampouco ser o composto que é o [[lexico:c:corpo:start|corpo]] vivo em sua [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]]; resta, pois, que seja a forma que especifica e determina: "Sic igitur cum sit triplex [[lexico:s:substantia:start|substantia]], scilicet compositum, materia et forma, et [[lexico:a:anima:start|anima]] non est compositum [[lexico:q:quod:start|quod]] est [[lexico:c:corpus:start|corpus]] habens vitam, neque est materia, quae est corpus subjectum vitae, relinquitur, per locum dialecticum a divisione, quod anima sit substantia, sicut forma talis corporis, scilicet corporis physici habentis in potentia vitam" De Anima, II, 1, 1 Em seguida, indica [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] porque é especificado que a alma é forma de um corpo "tendo a vida em [[lexico:p:potencia:start|potência]]": é só quando informado pela alma que o corpo terá a vida em [[lexico:a:ato:start|ato]]. Mostra que o ato, do qual aqui se trata, é um "ato primeiro", isto é, uma forma [[lexico:e:essencial:start|essencial]] e não um ato operativo. Por [[lexico:f:fim:start|fim]] mostra que o corpo, do qual a alma é a forma, é um "corpo [[lexico:f:fisico:start|físico]] organizado": por [[lexico:t:ter:start|ter]] múltiplas operações e exigir, como instrumentos, órgãos diversificados, a alma só pode vir a informar um corpo já organizado. Agrupando o conjunto destes dados obtemos a definição clássica de alma: "o ato primeiro (ou a forma) de um corpo físico organizado tendo a vida em potência" "actus primus corporis physici organici vitam in potentia habentis". No Capítulo 2 do mesmo livro, propõe Aristóteles uma outra definição de alma, desta vez de [[lexico:o:ordem:start|ordem]] [[lexico:d:dinamica:start|dinâmica]]. [[lexico:s:suposto:start|suposto]] que a alma é o primeiro principio da vida e que, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, "a vida é o fato de se nutrir, crescer e perecer", conclui que a alma pode ser definida como o [[lexico:p:principio:start|princípio]] destas funções às quais, para o [[lexico:h:homem:start|homem]], acrescentar-se-á a [[lexico:a:atividade:start|atividade]] [[lexico:s:superior:start|superior]] do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]. Assim, obtém-se com Tomás de Aquino (De Anima, II, 1. 4) a [[lexico:f:formula:start|fórmula]] que igualmente se tornou clássica: "Anima est primum [[lexico:q:quo:start|quo]] et vivimus et movemus et intelligimus". É fácil perceber que, no quadro [[lexico:g:geral:start|geral]] da [[lexico:t:teoria:start|teoria]] das substâncias, esta fórmula abarca a precedente. Em uma substância composta, com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], o princípio primeiro de todas as operações é a forma que assim é simultaneamente: aquilo pelo qual ela é (quo est), e aquilo pelo qual age, (quo operatur). Restaria emitir um [[lexico:j:juizo:start|juízo]] sobre esta famosa definição da alma como forma do corpo. Nos textos que acabamos de resumir, apresenta-se a doutrina ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] rigorosamente [[lexico:l:logica:start|lógica]] e com uma certa sequidão abstrata. É claro que se supôs como admitida a teoria geral do composto [[lexico:s:substancial:start|substancial]]; feito isto, tudo parece caminhar [[lexico:p:por-si:start|por si]]. Este [[lexico:e:esquematismo:start|esquematismo]] intrinsecamente muito coerente, é por si só expressivo do [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] de pensamento realizado pelo Estagirita? Não cremos. Seria esquecer as longas considerações críticas do livro precedente que são representativas das meditações de diversas gerações de pensadores, de [[lexico:e:empedocles:start|Empédocles]] a [[lexico:d:democrito:start|Demócrito]] e de [[lexico:a:anaxagoras:start|Anaxágoras]] ao autor do [[lexico:f:fedon:start|Fédon]] e do [[lexico:t:timeu:start|Timeu]]: tudo isto assimilado e revivido pelo fundador do [[lexico:l:liceu:start|Liceu]] durante o longo período de elaboração de sua doutrina. Se o [[lexico:m:materialismo:start|materialismo]] dos antigos é impotente para [[lexico:e:explicar:start|explicar]] o vivente na [[lexico:o:originalidade:start|originalidade]] de sua [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] e de sua atividade, se o [[lexico:d:dualismo:start|dualismo]] platônico compromete irremediavelmente sua [[lexico:u:unidade:start|unidade]], não será preciso elaborar uma doutrina mais compreensiva e mais abrangedora? O [[lexico:h:hilemorfismo:start|hilemorfismo]] físico apresenta-se então como a solução libertadora: a alma só pode ser a forma do corpo. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}