===== ANIMAL SYMBOLICUM ===== [[lexico:c:cassirer|Cassirer]] é da [[lexico:i:ideia|ideia]] de que se pode e deve corrigir a [[lexico:d:definicao|definição]] tradicional de [[lexico:h:homem|homem]]. Naturalmente, a definição de homem como [[lexico:a:animal|animal]] rationale "mantém o seu [[lexico:v:valor|valor]]", [[lexico:n:nao|não]] obstante pretenda ela trocar a [[lexico:p:parte|parte]] pelo [[lexico:t:todo|todo]], "pois, [[lexico:a:alem|além]] da [[lexico:l:linguagem|linguagem]] conceitual, existe uma linguagem do [[lexico:s:sentimento|sentimento]] e das emoções, além da linguagem [[lexico:l:logica|lógica]] e científica, existe a linguagem da [[lexico:i:imaginacao|imaginação]] poética. A linguagem não expressa somente [[lexico:p:pensamentos|Pensamentos]] e [[lexico:i:ideias|ideias]], mas, em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]], sentimentos e afetos". Os filósofos que definiram o homem como animal rationale não eram empiristas, observa Cassirer, e não pretenderam dar "[[lexico:e:explicacao|explicação]] empírica da [[lexico:n:natureza-humana|natureza humana]]. Com essa definição, eles propuseram muito mais um [[lexico:i:imperativo|imperativo]] [[lexico:m:moral|moral]]". Em [[lexico:s:suma|suma]], a [[lexico:r:razao|razão]] é [[lexico:t:termo|termo]] pouco [[lexico:a:adequado|adequado]] se quisermos abraçar em toda a sua [[lexico:r:riqueza|riqueza]] e variedade as formas da [[lexico:v:vida|vida]] cultural do homem. "Essas formas são essencialmente formas simbólicas. Ao invés de definir o homem como animal rationale, dever-se-ia, portanto, defini-lo como [[lexico:a:animal-symbolicum|animal symbolicum]]. Desse [[lexico:m:modo|modo]], estar-se-á indicando o que verdadeiramente o caracteriza e o que o diferencia em [[lexico:r:relacao|relação]] a todas as outras espécies, podendo-se entender o [[lexico:c:caminho|caminho]] especial que o homem tomou: o caminho para a [[lexico:c:civilizacao|civilização]]". Nesse caminho, na [[lexico:o:opiniao|opinião]] de Cassirer, a [[lexico:c:ciencia|ciência]] corresponde à última fase do [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] intelectual do homem, "podendo [[lexico:s:ser|ser]] considerada como a mais elevada e significativa conquista da [[lexico:c:cultura|cultura]]. E [[lexico:p:produto|produto]] muito raro e refinado, que só pôde tomar [[lexico:f:forma|forma]] em condições especiais". O [[lexico:t:trabalho|trabalho]] científico de Galileu e Newton, de Maxwell e Helmholtz, de Planck e [[lexico:e:einstein|Einstein]], não consistiu em [[lexico:s:simples|simples]] coleta de fatos: "foi trabalho [[lexico:t:teorico|teórico]], mas construtivo", fruto daquela "[[lexico:e:espontaneidade|espontaneidade]] e [[lexico:p:produtividade|produtividade]] que estão verdadeiramente no centro de todas as [[lexico:a:atividades|atividades]] humanas". Com a linguagem, a [[lexico:r:religiao|religião]] e a ciência, o homem construiu o [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:u:universo|universo]], universo [[lexico:s:simbolico|simbólico]] que o põe em condições de [[lexico:c:compreender|compreender]] e interpretar, de articular e organizar, de sintetizar e universalizar sua [[lexico:e:experiencia|experiência]]. E, desse modo, na cultura tomada em seu conjunto "pode-se observar o [[lexico:p:processo|processo]] da auto-libertação progressiva do homem. A linguagem, a [[lexico:a:arte|arte]], a religião e a ciência são fases desse processo. Em todas elas, o homem descobre e demonstra novo poder, o poder de construir um [[lexico:m:mundo|mundo]] próprio, um mundo ‘[[lexico:i:ideal|ideal]]’ ". Sem esconder a [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]], a variedade e a peculiaridade estrutural de cada forma [[lexico:s:simbolica|simbólica]], a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]], diz Cassirer, não pode renunciar à busca da [[lexico:u:unidade|unidade]] fundamental desse mundo ideal. "Todas as funções se completam e se integram mutuamente. Cada qual descerra novo [[lexico:h:horizonte|horizonte]] e mostra novo [[lexico:a:aspecto|aspecto]] da [[lexico:h:humanidade|humanidade]]. O dissonante está em [[lexico:h:harmonia|harmonia]] consigo mesmo; os contrários não se excluem reciprocamente, mas dependem um do [[lexico:o:outro|outro]]; é a ‘harmonia no contraste, como entre o plectro e a lira’."