===== ANAXÍMENES ===== Também em Mileto floresceu Anaxímenes, discípulo de [[lexico:a:anaximandro|Anaximandro]], no século VI a.C, de cujo [[lexico:e:escrito|escrito]] Sobre a [[lexico:n:natureza|natureza]], em sóbria [[lexico:p:prosa|prosa]] jónica, chegaram-nos três fragmentos, [[lexico:a:alem|além]] de testemunhos indiretos. Anaxímenes pensa que o "[[lexico:p:principio|princípio]]" deve [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:i:infinito|infinito]], sim, mas que deve ser pensado como [[lexico:a:ar|ar]] infinito, [[lexico:s:substancia|substância]] aérea ilimitada. Escreve ele: "Exatamente como a nossa [[lexico:a:alma|alma]] (ou seja, o princípio que dá a [[lexico:v:vida|vida]]), que é ar, se sustenta e se governa, assim também o [[lexico:s:sopro|sopro]] e o ar abarcam o cosmos inteiro." E ainda: "O ar está [[lexico:p:proximo|próximo]] ao [[lexico:i:incorporeo|incorpóreo]] (no [[lexico:s:sentido|sentido]] de que [[lexico:n:nao|não]] tem [[lexico:f:forma|forma]] nem limites como os corpos e é invisível) e, como nós nascemos sob o seu fluxo, é [[lexico:n:necessario|necessário]] que ele seja infinito e rico, para não ficar reduzido." Com base no que já dissemos sobre os dois filósofos anteriores de Mileto, está claro por que [[lexico:m:motivo|motivo]] o ar é concebido por Anaxímenes como "o [[lexico:d:divino|divino]]". Fica por esclarecer, no entanto, a [[lexico:r:razao|razão]] pela qual Anaxímenes escolheu o ar como "princípio". É evidente que ele sentia a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de introduzir uma [[lexico:p:physis|physis]] que permitisse, de [[lexico:m:modo|modo]] mais [[lexico:l:logico|lógico]] e mais [[lexico:r:racional|racional]] do que fizera Anaximandro, dela deduzir todas as [[lexico:c:coisas|coisas]]. Com [[lexico:e:efeito|efeito]], por sua natureza de grande mobilidade, o ar se presta muito [[lexico:b:bem|Bem]] para ser concebido como estando em perene [[lexico:m:movimento|movimento]] (bem mais do que o infinito de Anaximandro). Ademais, o ar se presta melhor do que qualquer [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:e:elemento|elemento]] às variações e transformações necessárias para fazer nascer as diversas coisas. Ao se condensar, resfria-se e se torna água e, depois, [[lexico:t:terra|Terra]]; ao se distender e dilatar, esquenta e torna-se [[lexico:f:fogo|fogo]]. Um claro [[lexico:t:testemunho|testemunho]] antigo registra: "Anaxímenes diz que o frio é a [[lexico:m:materia|matéria]] que se contrai e condensa, ao passo que o calor é a matéria dilatada e distendida (é exatamente essa a [[lexico:e:expressao|expressão]] que ele usa). Assim, segundo Anaxímenes, não sem razão se diz que o [[lexico:h:homem|homem]] deixa sair da boca o quente e o frio: com efeito, a respiração esfria se for comprimida pelos lábios cerrados, mas, ao contrário, torna-se quente pela dilatação se sair da boca aberta." Desse modo, a variação quantitativa de [[lexico:t:tensao|tensão]] da [[lexico:r:realidade|realidade]] originária dá [[lexico:o:origem|origem]] a todas as coisas. Em certo sentido, Anaxímenes representa a expressão mais rigorosa e mais [[lexico:l:logica|lógica]] do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] da [[lexico:e:escola|escola]] de Mileto, porque, com o [[lexico:p:processo|processo]] de "condensação" e "rarefação", ele introduz aquela [[lexico:c:causa|causa]] [[lexico:d:dinamica|dinâmica]] da qual Tales não havia falado ainda e que Anaximandro havia determinado apenas inspirando-se em concepções órficas. Assim, Anaxímenes forneceu uma causa em plena [[lexico:h:harmonia|harmonia]] com o "princípio" e, consequentemente, em [[lexico:p:perfeito|perfeito]] [[lexico:a:acordo|acordo]] com o [[lexico:s:significado|significado]] da physis. Desse modo, é compreensível que os pensadores posteriores se refiram a Anaxímenes como a expressão paradigmática e o [[lexico:m:modelo|modelo]] do pensamento jónico. E quando, no século V a.C, houve uma revivescência desse pensamento (como veremos adiante), seria precisamente a physis aérea do princípio-ar de Anaxímenes a inspirá-la.