===== ANALÍTICO ===== a) O que se processa por [[lexico:a:analise|análise]] ou que constitui uma análise. O «[[lexico:m:metodo|método]] analítico» do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] é o que se baseia no [[lexico:j:juizo|juízo]], [[lexico:i:inducao|indução]] e [[lexico:s:silogismo|silogismo]], e que constitui o procedimento ordinário do [[lexico:e:espirito|espírito]]; ele se opõe ao «[[lexico:m:metodo-sintetico|método sintético]]», que procede por [[lexico:m:meio|meio]] de [[lexico:t:tese|tese]], [[lexico:a:antitese|antítese]] e [[lexico:s:sintese|síntese]]. b) [[lexico:k:kant|Kant]] chama de «juízo analítico» aquele cujo [[lexico:p:predicado|predicado]] está contido no [[lexico:s:sujeito|sujeito]]: «O predicado B ou pertence ao sujeito A, como algo que se acha contido de maneira oculta no [[lexico:c:conceito|conceito]] A; ou B se encontra completamente fora do conceito A, embora tenha, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], alguma ligação com aquele. No primeiro caso chama juízo «analítico», no [[lexico:o:outro|outro]] «[[lexico:s:sintetico|sintético]]». (Vide [[lexico:a:a-priori|a priori]]). c) Na [[lexico:p:psicologia|psicologia]], distingue-se uma [[lexico:t:tendencia|tendência]] [[lexico:a:analitica|analítica]] de uma tendência sintética do espírito, que se acha geralmente em diferentes indivíduos, diferentemente pronunciada. A primeira considera as [[lexico:c:coisas|coisas]] nos seus [[lexico:e:elementos|elementos]]; a segunda as considera no seu conjunto. d) Línguas analíticas chamam-se aquelas que tendem a salientar a [[lexico:i:ideia|ideia]] principal, separando-a dos termos com os quais ela se acha em [[lexico:r:relacao|relação]], termos que, por sua [[lexico:p:parte|parte]], estão sendo expressos cada um por uma [[lexico:p:palavra|palavra]] própria. O conjunto das [[lexico:p:palavras|palavras]] obedece, então, a uma [[lexico:o:ordem|ordem]] [[lexico:l:logica|lógica]] e predeterminada. Línguas sintéticas, pelo contrário, são aquelas que tendem a reunir várias [[lexico:i:ideias|ideias]] em um [[lexico:u:unico|único]] [[lexico:t:termo|termo]] [[lexico:c:composto|composto]], de [[lexico:f:forma|forma]] que a [[lexico:f:frase|frase]] inteira, com os seus elementos justapostos, exige que o espírito lhes introduza a ordem lógica por um [[lexico:a:ato|ato]] intuitivo de [[lexico:c:compreensao|compreensão]]. [[lexico:g:geometria|geometria]] analítica é a [[lexico:c:ciencia|ciência]] que traduz as figuras e propriedades geométricas em termos algébricos, e representa cada [[lexico:p:ponto|ponto]] de uma [[lexico:f:figura|figura]] por suas coordenadas. Depois de Kant, chama-se analítico ao juízo cujo predicado está compreendido no sujeito. Os [[lexico:j:juizos-analiticos|juízos analíticos]], diz Kant, “são aqueles em que a ligação do sujeito com o predicado se consegue por [[lexico:i:identidade|identidade]]”, contrariamente aos sintéticos, onde o predicado é alheio ao sujeito e a ligação [[lexico:n:nao|não]] contem, portanto, identidade. Kant chama-lhes também juízos explicativos porquanto o [[lexico:a:atributo|atributo]] não acrescenta [[lexico:n:nada|nada]] ao sujeito, mas apenas o decompõe em [[lexico:c:conceitos|conceitos]] parciais compreendidos no mesmo. São exemplos de juízos [[lexico:a:analiticos|analíticos]]: “todos os corpos são extensos”. “o [[lexico:t:triangulo|triângulo]] é uma figura com três ângulos”, etc. Estes juízos são todos a priori, isto é, válidos independentemente da [[lexico:e:experiencia|experiência]], ao contrário dos [[lexico:j:juizos-sinteticos|juízos sintéticos]], que podem [[lexico:s:ser|ser]] ou exclusivamente [[lexico:a:a-posteriori|a posteriori]] ou então, como Kant também admite, a priori. Em rigor, a [[lexico:d:discussao|discussão]] versou quase sempre sobre a [[lexico:n:natureza|natureza]] dos juízos sintéticos. Muitos autores não reconhecem a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de [[lexico:f:falar|falar]] de [[lexico:j:juizos-sinteticos-a-priori|juízos sintéticos a priori]] e afirmam - [[lexico:c:como-se|como se]] fazia antes - ou como faz grande parte das tendências neopositivistas contemporâneas - que [[lexico:t:todo|todo]] o juízo sintético é a posteriori. Nesse caso, não se reconhece nenhum [[lexico:p:plano|plano]] [[lexico:t:transcendental|transcendental]], único que, ao que parece, pode servir de elo e [[lexico:u:uniao|união]] entre o a priori e o sintético. Por outras palavras, os juízos sintéticos seriam todos derivados de experiências e os analíticos poderiam reduzir-se a tautologias. O juízo analítico não diria, em rigor, nada acerca do [[lexico:r:real|real]]. Esta concepção opõe-se, pois, decididamente à kantiana e opõe-se, por conseguinte, ao [[lexico:s:suposto|suposto]] [[lexico:u:ultimo|último]] da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] transcendental de que o ser é o conjunto de fatos e de que a [[lexico:s:significacao|significação]] “se apresenta” ou inclusive “existe como [[lexico:n:numeno|númeno]]. Opõe-se também à solução dada por [[lexico:h:husserl|Husserl]] à concepção dos [[lexico:j:juizos-analiticos-e-sinteticos|juízos analíticos e sintéticos]]. Husserl admite a possibilidade do [[lexico:p:pensar|pensar]] sintético sem [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de reconhecer um plano transcendental, porque refere tal pensar ao [[lexico:m:mundo|mundo]] de [[lexico:e:essencias|essências]] distintas das [[lexico:c:categorias|categorias]], dos meros nomes e das realidades. Assim, para Husserl, há juízos a priori que não são puramente vazios e que também não precisam de ser [[lexico:t:transcendentais|transcendentais]]. Entre os lógicos contemporâneos, a tendência mais forte durante muito tempo consistiu em defender a [[lexico:i:impossibilidade|impossibilidade]] dos sintéticos a priori. Parece que cada vez se acentuou mais o [[lexico:c:carater|caráter]] exclusivamente analítico das proposições necessárias. Deste [[lexico:m:modo|modo]], houve tendência a excluir qualquer [[lexico:r:referencia|referência]] da [[lexico:p:proposicao|proposição]] analítica-necessária à [[lexico:r:realidade|realidade]] e, portanto, a possibilidade de poder haver proposições analíticas acerca de caraterísticas gerais residentes no mundo ou nem sequer acerca de uma [[lexico:c:classe|classe]] especial de objetos abstratos como os [[lexico:u:universais|universais]]. Pouco a pouco, considerou-se inclusive que aquilo a que se chama proposição analítica não é senão uma [[lexico:r:regra|regra]] de [[lexico:g:gramatica|gramática]]. Como foi afirmado por Carnap e [[lexico:w:wittgenstein|Wittgenstein]], aquilo a que se chama analítico nas proposições analíticas não corresponde a uma “[[lexico:v:verdade|verdade]] [[lexico:u:universal|universal]] necessária”, mas a “um modo de [[lexico:u:uso|uso]] da [[lexico:l:linguagem|linguagem]]”. Pode, pois, dizer-se que, no nosso século, se deram duas respostas diferentes acerca da [[lexico:d:distincao|distinção]] entre as proposições analíticas e as sintéticas: 1. a que defendeu a [[lexico:s:separacao|separação]] que está dentro da [[lexico:t:tradicao|tradição]] de [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] (em parte), [[lexico:h:hume|Hume]] e outros, e preferiu apresentar os seus argumentos como resultado de uma [[lexico:r:reflexao|reflexão]] sobre a índole das expressões lógicas; 2. A que negou essa distinção e que foi defendida, principalmente, pelos idealistas, os fenomenólogos e os pragmatistas.