===== ANALÍTICA TRANSCENDENTAL ===== Depois da [[lexico:e:estetica-transcendental|estética transcendental]], consagrada a elucidar aquilo que o [[lexico:s:sujeito|sujeito]] pôs ([[lexico:e:espaco|espaço]] e [[lexico:t:tempo|tempo]]) para a cognoscibilidade das [[lexico:c:coisas|coisas]], dos fenômenos, vem a [[lexico:t:teoria|teoria]] que deve elucidar aquilo que o sujeito põe para a cognoscibilidade das leis efetivas que regem esses fenômenos. Em [[lexico:s:suma|suma]]: vem o [[lexico:p:problema|problema]] de como são possíveis os [[lexico:j:juizos-sinteticos-a-priori|juízos sintéticos a priori]], [[lexico:n:nao|não]] já das formas possíveis dos objetos, mas dos objetos reais chamados fenômenos, que não são coisas em si mesmos, antes coisas revestidas das formas espaço e tempo, e, portanto, [[lexico:o:objeto|objeto]] para o sujeito, o qual é sujeito de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] para eles. A [[lexico:c:ciencia|ciência]] humana não se contentou com [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:m:matematica|matemática]]; é também [[lexico:f:fisica|física]]; isto é, não somente determinou [[lexico:a:a-priori|a priori]], de antemão, as formas que podem [[lexico:t:ter|ter]] os objetos, como também determinou a [[lexico:e:existencia|existência]], a [[lexico:r:realidade|realidade]] e as leis que regem o aparecimento e desaparecimento dos próprios fenômenos. É esta segunda [[lexico:p:parte|parte]] que leva o [[lexico:n:nome|nome]] de [[lexico:a:analitica-transcendental|analítica transcendental]]. Também podemos inaugurar seu [[lexico:e:estudo|estudo]] com a clássica [[lexico:i:interrogacao|interrogação]], a clássica [[lexico:p:pergunta|pergunta]] de [[lexico:k:kant|Kant]]: como são possíveis os [[lexico:j:juizos-sinteticos|juízos sintéticos]] a priori na física? Ou [[lexico:d:dito|dito]] de [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:m:modo|modo]]: como é [[lexico:p:possivel|possível]] que nós tenhamos conhecimento a priori de objetos reais? A pergunta é verdadeiramente [[lexico:i:interessante|interessante]]. Porque é um [[lexico:f:fato|fato]] que nós temos, com [[lexico:e:efeito|efeito]], conhecimento a priori de objetos reais. Nós, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], sabemos que existem objetos, que existem coisas; que essas coisas estão aí, que existem. Mas, [[lexico:a:alem|além]] disso, sabemos que cada [[lexico:c:coisa|coisa]] tem seu ser, sua [[lexico:e:essencia|essência]], sua [[lexico:n:natureza|natureza]]. Que significa isto de natureza? Significa que as coisas que existem estão elas mesmas regidas por leis, têm uma [[lexico:s:substancia|substância]], estão compostas de propriedades, aparecem e desaparecem não caprichosamente, mas segundo leis fixas. Mas, além disso, sabemos também que estas coisas que existem são todas elas efeitos de [[lexico:c:causas|causas]] e causas de efeitos. Cada uma das coisas é [[lexico:o:o-que-e|o que é]] e está onde está e tem as propriedades que tem porque algum outro [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] [[lexico:a:antecedente|antecedente]] no tempo veio causar [[lexico:e:esse|esse]] ser, esse [[lexico:e:estar|estar]] e essas propriedades. E sabemos também que cada coisa das que existem no [[lexico:m:mundo|mundo]] é por sua vez [[lexico:c:causa|causa]] de efeitos, ou seja que ela mesma produz, gera outras coisas, muda outras coisas de [[lexico:l:lugar|lugar]], causa propriedades, movimentos, mudanças nas outras coisas; e sabemos que esses efeitos e essas causas não são tampouco caprichosos, mas todos eles são redutíveis a leis e a fórmulas gerais. Além disso, porém, sabemos que em todas as coisas que existem há uma mútua [[lexico:a:acao|ação]] e [[lexico:r:reacao|reação]]; umas produzem efeitos em outras, mas por sua vez recebem efeitos dessas outras. Sabemos, por [[lexico:u:ultimo|último]], que todas elas, o conjunto inteiro das coisas, aquilo que chamamos Natureza, consiste num [[lexico:s:sistema|sistema]] de leis [[lexico:u:universais|universais]] que podem ser expressas em fórmulas matemáticas e que traduzem com a [[lexico:m:maxima|máxima]] exatidão essas [[lexico:a:acoes|ações]] e reações, essas causas e efeitos, essas [[lexico:e:essencias|essências]] e propriedades de todas as coisas. Tudo isto sabemo-lo e sabemo-lo a priori. Porque, como poderíamos sabê-lo se não o soubéssemos a priori? Teria que ser porque as coisas mesmas no-lo tivessem ensinado. Mas as coisas não podem proporcionar-nos [[lexico:s:semelhante|semelhante]] conhecimento. As coisas enviam impressões, como diria [[lexico:h:hume|Hume]]; [[lexico:n:nada|nada]] mais do que impressões. Pois [[lexico:b:bem|Bem]]; nada disto (que cada coisa tem sua essência, ou que é efeito e causa, ou que é ação e reação, que tudo é redutível a leis universais) nada disso são impressões; nenhuma coisa nos envia a causa como [[lexico:i:impressao|impressão]]; nenhuma coisa nos envia a essência como impressão, pois essas essências, essas causas não estão naquilo que nós percebemos sensivelmente da realidade. Por conseguinte, existe um conhecimento a priori das coisas da natureza. E há um exemplo [[lexico:c:caracteristico|característico]] desse conhecimento a priori e é bem conhecido. É esse conjunto de teoremas que em qualquer livro de física precede ao resto do estudo e que leva o nome de "[[lexico:m:mecanica|Mecânica]] [[lexico:r:racional|racional]]". Na mecânica racional se estabelece uma grande [[lexico:q:quantidade|quantidade]] de teoremas, de proposições, que enunciam acerca dos objetos reais, por exemplo, as leis do [[lexico:m:movimento|movimento]], e, todavia, essas leis do movimento não são derivadas da [[lexico:e:experiencia|experiência]], não as lemos nós mesmos nas coisas como [[lexico:q:quem|quem]] lê um livro, senão que as extraímos integralmente do nosso [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:p:pensamento|pensamento]]. Assim, pois, apresenta-se aqui, do mesmo modo que na [[lexico:e:estetica|estética]] [[lexico:t:transcendental|transcendental]], o problema [[lexico:e:essencial|essencial]] de toda a [[lexico:c:critica-da-razao-pura|Crítica da razão pura]]: o problema de como sejam possíveis conhecimentos a priori na física. Ou dito de outro modo: como é possível o conhecimento da realidade das coisas? VIDE [[lexico:a:analise-da-realidade|análise da realidade]]; [[lexico:a:ato-do-juizo|ato do juízo]]; [[lexico:c:classificacao-dos-juizos|classificação dos juízos]]; [[lexico:t:tabela-das-categorias|tabela das categorias]]; [[lexico:d:deducao-transcendental|dedução transcendental]]; [[lexico:i:inversao-copernicana|inversão copernicana]]