===== ANÁLISE ===== A decomposição de um [[lexico:d:dado:start|dado]] em seus [[lexico:p:principios:start|princípios]] ou em seus [[lexico:e:elementos:start|elementos]]. — A análise é, juntamente com a [[lexico:s:sintese:start|síntese]], um dos processos mais gerais do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]. Nas ciências do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] ([[lexico:f:fisica:start|Física]], Química), ela consiste em passar do visível [[lexico:c:complexo:start|complexo]] ao invisível [[lexico:s:simples:start|simples]]. Foi a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] de análise que animou toda a procura dos elementos primeiros das [[lexico:c:coisas:start|coisas]], desde [[lexico:d:democrito:start|Demócrito]] e [[lexico:e:epicuro:start|Epicuro]] até a [[lexico:m:moderna:start|moderna]] microfísica. No domínio da [[lexico:a:alma:start|alma]] humana, a análise psíquica ([[lexico:p:psicanalise:start|psicanálise]]) busca atrás das condutas do [[lexico:h:homem:start|homem]], e sobretudo atrás de seus fracassos na [[lexico:v:vida:start|vida]], uma [[lexico:m:motivacao:start|motivação]] profunda justificada pela [[lexico:e:existencia:start|existência]] de "complexos", isto é, de uma inadaptação ao [[lexico:r:real:start|real]]. Ela descobre essa motivação principalmente pela análise dos sonhos nos quais o [[lexico:i:inconsciente:start|Inconsciente]] se manifesta de maneira [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]]. A análise reflexiva, praticada em [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], aplica-se sobre as condições e a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] do pensamento; seu [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] é chegar ao [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] original do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] e, fundamentalmente, resolver o [[lexico:p:problema:start|problema]] da [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] absoluta ou da [[lexico:p:predestinacao:start|predestinação]]. (Foi praticada principalmente por [[lexico:s:spinoza:start|Spinoza]] na [[lexico:e:etica:start|Ética]], livro II; por [[lexico:f:fichte:start|Fichte]], por [[lexico:l:lagneau:start|Lagneau]] e por A. Gehlen.) Significa etimologicamente resolução (de um todo em suas partes). Na [[lexico:t:terminologia:start|terminologia]] filosófica usual, análise significa o [[lexico:m:metodo:start|método]] da dissecação mental de um [[lexico:t:todo:start|todo]] (real ou conceitual) em seus conteúdos parciais; assim, os conteúdos parciais de início apenas conhecidos de maneiro implícita (implicite), ou seja, em seu complexo global, são isolados em seus componentes particulares e, por essa [[lexico:f:forma:start|forma]], conhecidos de maneira explicita (explicite). A direção oposta do pensamento denomina-se síntese. — Em [[lexico:p:particular:start|particular]] a análise de um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] designa a dissecação ou decomposição de um todo conceituai nos conteúdos parciais primeiramente apenas conhecidos de maneira implícita, e que se denominam notas. Se uma destas notas for expressa num [[lexico:j:juizo:start|juízo]] como [[lexico:p:predicado:start|predicado]] do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] [[lexico:d:designado:start|designado]] pelo todo conceitual, dizemos haver juízo [[lexico:a:analitico:start|analítico]] (juízo [[lexico:e:explicativo:start|explicativo]]; p. ex., o quadrado tem [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] ângulos retos); assim, pelo menos [[lexico:k:kant:start|Kant]] entende esta [[lexico:e:expressao:start|expressão]]. Outros falam — menos acertadamente — também de juízo analítico, quando o predicado, [[lexico:n:nao:start|não]] sendo pensado simultaneamente, desde o [[lexico:p:principio:start|princípio]], no conceito do sujeito, se segue necessariamente do conteúdo desse conceito, e portanto apresenta uma "[[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]]" (um "proprium") do sujeito. [[lexico:p:predicaveis:start|Predicáveis]]. — Noutro [[lexico:s:sentido:start|sentido]], a análise consiste em remontar das conclusões aos axiomas fundamentais ([[lexico:p:principios-do-conhecimento:start|princípios do conhecimento]]). — Analítico designa o que se serve da análise como método ou o que se obteve ou pretende obter por [[lexico:m:meio:start|meio]] desta. — De Vries (Em grego analysis, de aná, para cima, e lysein, resolver, desfazer uma solução). a) Decomposição de um todo em suas partes, seja na [[lexico:o:ordem:start|ordem]] material (análise química), seja na ordem mental (análise de um conceito), pela [[lexico:d:definicao:start|definição]]. Segundo [[lexico:t:taine:start|Taine]], tanto nas ciências morais, como nas ciências físicas, o [[lexico:p:progresso:start|progresso]] consiste no emprego da analise, e todo o [[lexico:e:esforco:start|esforço]] que ela tem de fazer é o de multiplicar os fatos, os dados elementares, que estão contidos implicitamente em um [[lexico:n:nome:start|nome]]. A nossa [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] é de descobrir, sob os sinais, os fatos distintos. Para [[lexico:s:saber:start|saber]] [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] uma «natureza», toma-se um [[lexico:a:animal:start|animal]], uma planta, um mineral e estudam-se-lhes as características. Notar-se-á que a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] «natureza» aparece no [[lexico:m:momento:start|momento]] em que se tem feito a [[lexico:s:soma:start|soma]] das características importantes e distintivas. b) Se concebemos a análise como uma [[lexico:r:reducao:start|redução]] a elementos primários, é evidente que ela toma aspectos bastante diferentes, conforme os objetos a que se aplica. As espécies de análise podem [[lexico:s:ser:start|ser]] análogas, mas cada uma tem um [[lexico:c:carater:start|caráter]] especial, determinado pela natureza do [[lexico:o:objeto:start|objeto]], que cabe decompor. «Redução aos elementos primários» significa, nas ciências naturais, redução aos fatos de [[lexico:o:observacao:start|observação]] empírica, no sentido da [[lexico:e:exposicao:start|exposição]] de Taine acima citada. c) Na [[lexico:l:logica:start|Lógica]], os «elementos primários» são a própria forma lógica, e a análise consiste em demonstrar a aplicação correta das leis do [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]] de um material dado. Não se trata, porém, só de analisar um raciocínio sob o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista da [[lexico:l:logica-formal:start|Lógica Formal]], mas a [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] tem que ser examinada quanto à sua [[lexico:v:veracidade:start|veracidade]], pela redução às premissas que figuram como os últimos elementos, admitidos como verdadeiros. Duhamel caracteriza este procedimento analítico como segue: «Quando temos que achar a [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]] de uma proposição enunciada, procuramos primeiro se ela pode deduzir-se como [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] necessária de proposições admitidas. Neste caso, ela também tem de ser admitida e, consequentemente, já está demonstrada. Se não sabemos de quais proposições conhecidas ela poderia ser deduzida, temos de procurar de que proposição não admitida ela podia deduzir-se, e, então, a [[lexico:q:questao:start|questão]] será reduzida a demonstrar a veracidade dessa última proposição. Se se pode deduzir esta de proposições admitidas, ela será reconhecida como verdadeira e, por consequência, também a anterior, senão, procuraremos de que proposição ainda não admitida ela se podia deduzir, e toda questão seria provar a veracidade desta última. Assim se continuará até chegar a uma proposição reconhecida como verdadeira; e com isto, estará provada a veracidade da proposição da qual partimos». Assim se vê que este método, que se chama «análise», consiste no estabelecimento de uma corrente de proposições, que começa com a que queremos demonstrar e termina numa proposição conhecida, e partindo da primeira que queremos demonstrar, cada uma será uma consequência necessária da proposição seguinte; donde se segue que a primeira é uma consequência da última, e, portanto, verdadeira como esta. Em vista disso, cada método, que implica em um exame [[lexico:d:discursivo:start|discursivo]], toma a [[lexico:d:denominacao:start|denominação]] de Análise, mesmo que se prenda simultaneamente à [[lexico:o:operacao:start|operação]] contrário de síntese. Este sentido que reúne decomposição e recomposição, acha-se em [[lexico:c:condillac:start|Condillac]], quando diz que «o método analítico consiste em observar numa ordem sucessiva as qualidades de um objeto, para logo atribuir-lhe, no espírito, a ordem de [[lexico:s:simultaneidade:start|simultaneidade]] na qual existem . . . Promovemos essa composição e decomposição de conformidade com as [[lexico:r:relacoes:start|relações]] que existem entre as coisas?. d) O emprego que Kant faz das [[lexico:p:palavras:start|palavras]] análise e analítico prende-se ao [[lexico:u:uso:start|uso]] consagrado por [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], que distingue, no seu livro «[[lexico:o:organon:start|Organon]]» sobre a Lógica [[lexico:f:formal:start|formal]], uma «[[lexico:a:analitica:start|analítica]] primária» ([[lexico:t:teoria:start|teoria]] do raciocínio) e «analítica secundária» (teoria das provas). Essa análise lógica, que é essencialmente decomposição dos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]], se opõe diametralmente à síntese, como operação contrária. Kant, no propósito de aplicar as formas lógicas ao conhecimento da [[lexico:r:realidade:start|realidade]], [[lexico:p:parte:start|parte]] deste sentido da palavra, quando procura as condições [[lexico:a:a-priori:start|a priori]] da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] na sua chamada [[lexico:a:analitica-transcendental:start|analítica transcendental]]. e) A análise psicológica consiste em uma [[lexico:i:introspeccao:start|introspecção]] para fins de análise; quer dizer, para reduzir estados psíquicos complexos aos elementos mais simples que a compõem. Este método, que tomou especial [[lexico:s:significacao:start|significação]] na «Psicanálise» de Sigmund [[lexico:f:freud:start|Freud]], se opõe, em princípio, ao método meramente [[lexico:d:descritivo:start|descritivo]]. f) O método analítico na [[lexico:p:pedagogia:start|pedagogia]] consiste em uma decomposição dos conhecimentos já adquiridos, não aos últimos elementos constituintes, mas naquelas unidades de [[lexico:d:divisao:start|divisão]] e [[lexico:i:ideias:start|ideias]], cuja [[lexico:p:presenca:start|presença]] [[lexico:a:atual:start|atual]] no espírito dos alunos parece a melhor preparação para a [[lexico:a:assimilacao:start|assimilação]] de novos conhecimentos. Sobre «juízo analítico» vide «analítico». Na idade média e em grande parte da idade moderna entendeu-se o [[lexico:t:termo:start|termo]] “análise” quase exclusivamente no sentido que lhe davam os matemáticos. Um [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] disso reside na definição de [[lexico:e:euclides:start|Euclides]]: “a análise parte daquilo que se procura como algo admitido e passa disso, mediante várias consequências a algo que é aceite como o seu resultado” (Elementos). A análise é, neste sentido, uma resolução - resolve-se o complexo no simples - ou uma [[lexico:r:regressao:start|regressão]] - regressa-se, mediante uma [[lexico:s:sequencia:start|sequência]] lógica de proposições, a uma proposição que se declara evidente, partindo de outra proposição que se pretende demonstrar e que se admite como verdadeira. Por isso chamou-se ao método de análise “método de resolução ou método resolutivo”. [[lexico:e:esse:start|esse]] método foi utilizado por alguns matemáticos e filósofos modernos (Galileu, Vieta, [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], [[lexico:h:hobbes:start|Hobbes]], entre outros). A acepção anterior do termo não coincide com aquilo que hoje se usa amiúde na [[lexico:l:literatura:start|literatura]] filosófica e científica. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], atualmente costuma entender-se a análise como a decomposição de um todo nas suas partes. Mais que de um todo real e dos seus componentes reais - como acontece nas análises químicas - entende-se essa decomposição num sentido [[lexico:l:logico:start|lógico]] ou então mental. Fala-se assim de análise de uma proposição enquanto [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] dos elementos que a compõem, ou de análise de um conceito enquanto investigação dos sub-conceitos com que se construiu esse conceito. Em todos estes casos, a análise opõe-se à síntese: que é uma decomposição do previamente decomposto. Note-se, contudo que essa [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] não impede que se usem os dois métodos, o analítico e o [[lexico:s:sintetico:start|sintético]], quer na [[lexico:c:ciencia:start|ciência]], quer na filosofia. É uma [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] muito generalizada de que os dois métodos têm de ser complementares, uma vez analisado um todo nas suas partes componentes, a recomposição sintética destas partes tem de dar como resultado o todo de que se partiu. Este segundo conceito de análise foi usado também por muitos filósofos e [[lexico:c:cientistas:start|cientistas]] modernos, especialmente no século XVII. A co-existência destes dois sentidos do termo, cujo o exemplo mais destacado talvez seja a [[lexico:o:obra:start|obra]] de Descartes, produz uma peculiar imprecisão que só pode solucionar-se atendendo ao termo e ao contexto em que se encontre. De qualquer [[lexico:m:modo:start|modo]], foi a significação implícita no segundo preceito, do -Discurso- “dividir cada uma das dificuldades que se examinam nas partes que for [[lexico:p:possivel:start|possível]] e [[lexico:n:necessario:start|necessário]] para melhor as resolver” que teve mais fecundas consequências na literatura filosófica posterior. As atuais correntes ou escolas designadas por “análise lógica” e “[[lexico:m:movimento:start|movimento]] analítico”, podem considerar-se como um refinamento deste sentido. Dever-se-iam, pois, classificar as filosofias em analíticas e sintéticas. As primeiras supõem, de um modo [[lexico:g:geral:start|geral]], que a realidade de um todo, qualquer que ele seja, aparece na decomposição das suas partes. As segundas afirmam que o todo é irredutível às suas partes. Com o termo “análise”, ou também com a expressão análise lógica, designa-se hoje um amplo movimento filosófico de caráter [[lexico:a:anti-metafisico:start|anti-metafísico]] que abarca tendências muito diversas: [[lexico:p:positivismo-logico:start|positivismo lógico]], [[lexico:e:empirismo-logico:start|empirismo lógico]] ou científico, [[lexico:e:escola:start|escola]] (analítica) de Cambridge, [[lexico:g:grupo:start|grupo]] de Oxford, [[lexico:c:circulo:start|círculo]] de [[lexico:w:wittgenstein:start|Wittgenstein]], etc. Neste movimento incorporam-se muitos dos que trabalham em temas de lógica [[lexico:s:simbolica:start|simbólica]] e de [[lexico:s:semiotica:start|semiótica]], quando esse [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] não é entendido num sentido neutral e pretende dar uma determinada [[lexico:i:ideia:start|ideia]] da [[lexico:a:atividade:start|atividade]] filosófica. Muito comum nestas tendências é a rejeição dos rasgos especulativos do [[lexico:p:pensamento-filosofico:start|pensamento filosófico]] e a redução deste a um [[lexico:p:pensar:start|pensar]] crítico e analítico, com o [[lexico:c:consequente:start|consequente]] desmascaramento dos problemas tradicionais como “imbróglios” causados pela complexidade da [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] [[lexico:v:vulgar:start|vulgar]]. A juntar a isto, é comum, mas não exclusivo das tendências analíticas, a [[lexico:n:negacao:start|negação]] de que a filosofia tenha um objeto [[lexico:p:proprio:start|próprio]]; assim, a filosofia reduz-se a um exame das proposições com o [[lexico:f:fim:start|fim]] de averiguar se têm ou não significação. Se são regras lógicas ou linguísticas, proposições sobre fatos ou meras expressões de emoções. Ora, estas bases comuns não são suficientes para caraterizar nenhuma das tendências qualificadas de analíticas; cada uma delas tem, [[lexico:a:alem:start|além]] disso, [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] próprios e por vezes dificilmente comparáveis aos de outras tendências. De qualquer modo, pode tentar-se uma [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] que, embora só aproximada, permite situar as diferentes correntes: a) o analitismo anti-formalista linguístico, preocupado com as opiniões formuladas em linguagem vulgar, com o fim de [[lexico:v:ver:start|ver]] se têm ou não sentido ou demonstrar que todas as questões filosóficas são pseudoproblemas; b) o analitismo anti-formalista [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]], que se aplica um tanto à [[lexico:p:posicao:start|posição]] anterior, mas que resolve os problemas considerando a linguagem um dos modos do [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] [[lexico:h:humano:start|humano]] e não mediante puras análises linguísticas; c) o analitismo formalista, mais interessado nos problemas lógicos, e mais preocupado com construir linguagens precisas onde fiquem eliminados os paradoxos e nas quais possam traduzir-se as partes não contraditórias da linguagem falada. Paradoxalmente, os partidários da posição c), que é mais [[lexico:t:tecnica:start|técnica]] que as duas anteriores, que parece mais afastada das tradicionais posições filosóficas, são os que mais se aproximam delas. Com efeito, o analitismo no sentido c) pretende, em última análise, forjar linguagens em que possa descrever-se com rigor a experiência. Portanto, essas linguagens, mesmo quando são formais, devem ser utilizadas para descrever a realidade, ao contrário do que acontece com os outros dois analitismos, que são antes um modo de iludir os problemas da [[lexico:d:descricao:start|descrição]] do real. As três posições atrás citadas encontram-se em Wittgenstein mas foram desenvolvidas muitas vezes independentemente dele. Como representantes destacados das mesmas, podemos considerar os seguintes: para a posição a), os chamados analistas de Cambridge, tais como Moore, John Wistom e, em geral, antigos discípulos de Moore; wittgensteinianos de [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] [[lexico:l:linguistica:start|linguística]]; Ryle e os filósofos do grupo de Oxford. Para a posição b), os wittgensteinianos que aderiram ao [[lexico:p:positivismo:start|positivismo]] terapêutico. Para a posição c), os antigos positivistas lógicos de tendência formalista, como Carnap e muitos dos que trabalham no [[lexico:c:campo:start|campo]] da [[lexico:l:logica-matematica:start|lógica matemática]] com o fim de encontrarem linguagens no sentido indicado. (gr. analysis; lat. Analysis; in. Analysis; fr. Analyse; al. Analyse; it. Analisí). Em geral, a descrição ou a [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] de uma [[lexico:s:situacao:start|situação]] ou de um objeto qualquer nos termos dos elementos mais simples pertencentes à situação ou ao objeto em questão. A [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]] desse [[lexico:p:processo:start|processo]] é resolver a situação ou o objeto nos seus elementos, de modo que um processo analítico é considerado bem-sucedido quando tal resolução é realizada. Esse processo foi empregado por Aristóteles na lógica da demonstração ([[lexico:a:apoditica:start|apodítica]]), com a finalidade de resolver a demonstração no [[lexico:s:silogismo:start|silogismo]], o silogismo nas figuras, as figuras nas proposições (An.pr, I, 32, 47 a 10). Na lógica do séc. XVII, a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre [[lexico:a:analise-e-sintese:start|análise e síntese]] começou a ser exposta como a diferença entre dois métodos de ensino. "A ordem didática", dizia Jungius, "pode ser sintética, isto é, compositiva, ou analítica, isto é, resolutiva". A ordem sintética vai "dos princípios ao principiado, dos constituintes ao constituído, das partes ao todo, do simples ao [[lexico:c:composto:start|composto]]" e é empregada pelo lógico, pelo gramático, pelo arquiteto e também pelo [[lexico:f:fisico:start|físico]], quando passa das plantas aos animais ou dos seres menos perfeitos aos mais perfeitos. A ordem analítica procede por via oposta e é própria do físico e do ético, na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que este [[lexico:u:ultimo:start|último]] passa, por exemplo, da consideração do fim à consideração da [[lexico:a:acao:start|ação]] honesta (Logica hamburgensis, 1638, IV, cap. 18). A partir de Descartes, a análise e a síntese deixaram de ser consideradas dois métodos de ensino e passaram a ser dois processos diferentes de demonstração. Diz Descartes: "A maneira de demonstrar é dupla: uma demonstra por meio da análise ou resolução, a outra por meio da síntese ou composição. A análise demonstra o [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] [[lexico:c:caminho:start|caminho]] pelo qual a [[lexico:c:coisa:start|coisa]] foi metodicamente inventada e permite ver como os efeitos dependem da [[lexico:c:causa:start|causa]]... A síntese, ao contrário, [[lexico:c:como-se:start|como se]] examinasse as [[lexico:c:causas:start|causas]] a partir de seus efeitos (ainda que a [[lexico:p:prova:start|prova]] que ela contém vá não raro das causas aos efeitos), na [[lexico:v:verdade:start|verdade]] demonstra com clareza o que está contido nas suas conclusões e utiliza uma longa [[lexico:s:serie:start|série]] de definições, postulados, axiomas, teoremas, problemas" (Rép. aux II Ob.). O próprio Descartes [[lexico:n:nota:start|nota]] que os antigos geômetras utilizaram, de preferência, a síntese (como, de [[lexico:f:fato:start|fato]], fizeram Papos, VII, 1 ss., e [[lexico:p:proclo:start|Proclo]], Com. ao I livro de Euclides, p. 211, Friedlein), enquanto ele preferiu a análise, porque esse caminho "parece o mais verdadeiro e o mais [[lexico:a:adequado:start|adequado]] ao ensino". Hobbes repetia, substancialmente, essas considerações (Decorp., VI, § 1-2) e a Lógica de [[lexico:p:port-royal:start|Port-Royal]] chamava a análise de "método de [[lexico:i:invencao:start|invenção]]" e a síntese de "método de composição" ou "método de doutrina" (Log., IV, 2). Esse ponto de vista sancionava a superioridade do processo analítico na [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]]. Essa superioridade também é pressuposta por [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]], que define a análise do ponto de vista lógico-linguístico: "análise é isto: resolva-se qualquer termo dado em suas partes formais, isto é, dê-se a sua definição; sejam essas partes, por sua vez, resolvidas em partes, isto é, dê-se a definição dos termos da definição, e assim por diante, até as partes simples, ou seja, aos termos indefiníveis" (De [[lexico:a:arte:start|arte]] combinatoria, Op., ed. Erdmann, p. 23 a-b). Com outras palavras, Newton dizia a mesma coisa: "Pelo caminho da análise podemos ir dos compostos aos ingredientes e dos movimentos às forças que os produzem; e, em geral, dos efeitos às suas causas e das causas particulares às gerais, até que o raciocínio termine nas mais gerais" (Opticks, 1704, III, 1, q. 31; ed. Dover, p. 404). [[lexico:w:wolff:start|Wolff]] contrapunha, no mesmo sentido, o método analítico e o [[lexico:m:metodo-sintetico:start|método sintético]]: "Chama-se analítico o método pelo qual as verdades são dispostas na ordem em que foram encontradas ou ao menos em que poderiam ser encontradas. Chama-se sintético o método pelo qual as verdades são dispostas de tal modo que cada uma possa ser mais facilmente entendida e demonstrada a partir da outra" (Log., § 885). Não é diferente o [[lexico:s:significado:start|significado]] que Kant deu à oposição dos dois métodos. Mais particularmente, em De mundi sensibilis atque intellegibilis forma et ratione, I, § 1, nota, ele distinguiu dois significados de análise: um qualitativo, que é "o [[lexico:r:regresso:start|regresso]] a rationato ad rationem", e [[lexico:o:outro:start|outro]] [[lexico:q:quantitativo:start|quantitativo]] (que declara utilizar), que é "o regresso do todo às suas partes possíveis, mediadas, ou seja, às partes das partes, de tal modo que a análise não é a divisão, mas a subdivisão do composto dado". Kant valeu-se desse procedimento em todas as suas obras principais, em cada uma das quais a parte positiva fundamental é constituída de uma "Analítica". Segundo Kant, é analítico o procedimento próprio da "lógica geral", porquanto "resolve toda a obra formal do [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]] e da [[lexico:r:razao:start|razão]] nos seus elementos e expõe esses elementos como princípios de toda valorização lógica de nosso conhecimento" (Crít. R. Pura, Lóg. transc., intr., 3). O mesmo procedimento também é próprio da lógica [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]], que isola o intelecto, isto é, a parte do conhecimento que tem [[lexico:o:origem:start|origem]] só no intelecto (conhecimento a priori), mais precisamente da Analítica transcendental, que é "a resolução de todo o nosso conhecimento a priori nos elementos do conhecimento [[lexico:p:puro:start|puro]] intelectual". O procedimento analítico também foi usado por Kant em [[lexico:c:critica-da-razao-pratica:start|Crítica da Razão Prática]], com o fim de [[lexico:i:isolar:start|isolar]] os princípios práticos, isto é, morais; e em [[lexico:c:critica:start|Crítica]] do Juízo, a fim de determinar os fundamentos do juízo estético e do juízo [[lexico:t:teleologico:start|teleológico]]: trata-se, em todos os casos, de determinar os elementos verdadeiros ou efetivos que condicionam essas [[lexico:a:atividades:start|atividades]], em contraste com os elementos aparentes ou fictícios (ou "dialéticos"). Naturalmente, o método analítico [[lexico:n:nada:start|nada]] tem a ver com os [[lexico:j:juizos-analiticos:start|juízos analíticos]]. "O método analítico, enquanto oposto ao sintético, é coisa [[lexico:b:bem:start|Bem]] diferente de um complexo de juízos [[lexico:a:analiticos:start|analíticos]]: quer dizer somente que se parte daquilo que é objeto da questão, como dado, para remontar às condições que o tornam possível" (Prol, § 5, nota). [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] fixou de modo [[lexico:a:analogo:start|análogo]] o caráter fundamental do procedimento analítico quando escreveu: "Mesmo quando o conhecimento analítico procede por relações, que não são [[lexico:m:materia:start|matéria]] exteriormente dada, mas determinações do pensamento, ainda assim continua analítico, porquanto, para ele, essas relações são dados" (Wissenschaft der Logik, III, III, II, A a; trad. it., p. 295). Pode-se afirmar que o [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] de dados é o caráter fundamental do procedimento analítico, o que mais profundamente o distingue do sintético (v. filosofia). Na filosofia e, em geral, na [[lexico:c:cultura:start|cultura]] moderna e contemporânea, a tendência analítica, isto é, a tendência a reconhecer a análise como método de investigação, disseminou-se e mostrou ser muito fértil. Essa tendência coincide substancialmente com a tendência empirista (no sentido metodológico do [[lexico:e:empirismo:start|empirismo]]) a restringir a investigação aos "fatos observáveis" e às relações entre tais fatoá tendência que implica, em cada caso, a exigência de indicar o método ou o procedimento mediante o qual o fato pode ser efetivamente observado. Nesse sentido, o procedimento analítico leva à eliminação de realidades ou de conceitos "em si", isto é, absolutos ou independentes de qualquer observação ou [[lexico:v:verificacao:start|verificação]] e pressupostos como realidades ou verdades "últimas". Sob esse [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]], a física relativista e a [[lexico:m:mecanica:start|mecânica]] quântica podem ser consideradas resultados do processo analítico. Quando [[lexico:e:einstein:start|Einstein]] observou que, para [[lexico:f:falar:start|falar]] de "fatos simultâneos", é necessário oferecer um método para observar a simulta-neidade de tais fatos (dando, assim, a chave da [[lexico:t:teoria-da-relatividade:start|teoria da relatividade]]), só fez levar a [[lexico:b:bom:start|Bom]] termo a análise da [[lexico:n:nocao:start|noção]] de "fatos simultâneos". E, quando Niels Bohr e seus alunos evidenciaram o fato de que toda observação física é acompanhada por um efeito do [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] [[lexico:o:observador:start|observador]] sobre o objeto observado, só fizeram levar a bom termo a análise de "observação física"; e dessa análise nasceu toda a mecânica quântica. Analogamente, a [[lexico:r:renuncia:start|renúncia]] a postular um meio de transmissão não observável dos fenômenos electromagnéticos (o [[lexico:c:chamado:start|chamado]] "[[lexico:e:eter:start|éter]]") pode ser considerada resultado da consolidação do procedimento analítico. Em [[lexico:m:matematica:start|matemática]], o mesmo procedimento prevaleceu quando se renunciou a discutir o que são os pontos, as retas, os números, em si, e passou-se à análise das relações intercorrentes entre esses termos e dos postulados que as exprimem. Desse ponto de vista, a análise estendeu-se e consolidou-se em detrimento daquilo que se chama "[[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]", isto é, do domínio das realidades absolutas e das verdades necessárias. No campo das ciências históricas, [[lexico:d:dilthey:start|Dilthey]] contrapôs ao método metafísico e apriorístico, empregado, p. ex., por Hegel, o método analítico e descritivo próprio da [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]]; daí falar-se hoje de "análise histórica", que visa [[lexico:c:compreender:start|compreender]] um [[lexico:f:fato-historico:start|fato histórico]] nos seus elementos. Fala-se também de "análise sociológica", no sentido de um método voltado para a resolução da [[lexico:r:realidade-social:start|realidade social]] nos comportamentos, nas atitudes e nas instituições, que constituem seus elementos observáveis. No domínio da filosofia contemporânea, a análise assume várias formas, segundo os instrumentos com que é feita ou segundo os objetos ou campos de experiência para os quais esteja voltada. Na filosofia de [[lexico:b:bergson:start|Bergson]], a análise tem como alvo a "[[lexico:c:consciencia:start|consciência]]", isto é, a experiência interior, e tende a encontrar os dados últimos, isto é, imediatos, de tal experiência. Na filosofia de [[lexico:d:dewey:start|Dewey]], a análise está voltada para a experiência humana em seu caráter total e [[lexico:a:amorfo:start|amorfo]] e tende a resolvê-la em operações naturais. Na filosofia de [[lexico:h:husserl:start|Husserl]], a análise volta-se para o mundo da consciência como [[lexico:i:intencionalidade:start|intencionalidade]] e é "análise [[lexico:i:intencional:start|intencional]]", direcionada para a [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] das estruturas da consciência e as "formas" essenciais dos seus conteúdos objetivos. Na filosofia de [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]], a análise está voltada para a existência, isto é, para as situações mais comuns e repetíveis em que o homem se encontra no mundo. No empirismo lógico, a análise é análise da linguagem e tende a eliminar as confusões mediante a determinação e a verificação do significado ou modo de uso dos signos. Essas tendências analíticas da filosofia contemporânea são mais ou menos opostas à metafísica tradicional e tendem a conferir à [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] filosófica um método rigoroso para [[lexico:c:confirmacao:start|confirmação]] e a verificação de seus resultados. Ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]], todas elas condescendem, em maior ou menor [[lexico:g:grau:start|grau]], com certas inflexibilidades metafísicas: ao se falar, p. ex., de "dados últimos", como Bergson, de "formas ou [[lexico:e:essencias:start|essências]] necessárias", como Husserl, de "estruturas necessárias", como Heidegger, de "proposições atômicas" ou de "fatos atômicos", como o empirismo lógico, etc. Pode-se dizer, contudo, que a tendência das filosofias analíticas e da diretriz analítica das ciências consiste na progressiva eliminação de "pontos finais", isto é, de elementos ou estruturas que, por sua [[lexico:s:substancialidade:start|substancialidade]] e necessidade, bloqueiem o curso ulterior da análise e a imobilizem em resultados assumidos como definitivos e, portanto, subtraídos a toda verificação ulterior. Essa tendência visa, portanto, determinar e utilizar técnicas de verificação passíveis de correção ou retificação. Desse ponto de vista, a análise é o equivalente atualizado do empirismo tradicional e a ela se contrapõe a metafísica no sentido [[lexico:c:classico:start|clássico]] do termo, como ciência ou pretensa ciência daquilo que, sendo "necessariamente" e "em si", não tem necessidade de ser analisado, isto é, descrito, interpretado ou compreendido mediante procedimentos verificáveis. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}