===== ADORNO ===== Adorno, Theodor W. — Theodor Wiesengrund-Adorno, sociólogo, musicólogo e pensador alemão nasceu em Frankfurt em 1903, e morreu na Suíça em agosto de 1969. [[lexico:f:filho|filho]] de pai judeu e de mãe corsa (seu [[lexico:n:nome|nome]] de adoção é o materno, o que lembra as [[lexico:o:origens|origens]] da [[lexico:f:familia|família]] de sua mãe na antiga família nobre dos Adorni de Gênova), Theodor W. Adorno era aparentado, por via paterna, a Walter [[lexico:b:benjamin|Benjamin]]*. Adorno fez-se Privatdozent em Frankfurt em 1931; em 1933, por [[lexico:c:causa|causa]] da ascenção de Hitler, e sendo meio-judeu, foge (juntamente com Walter Benjamin, Max Horkheimer e Herbert [[lexico:m:marcuse|Marcuse]]) da Alemanha. Faz estágios por diversas [[lexico:u:universidades|universidades]] europeias, e acaba se instalando com Horkheimer e Marcuse nos Estados Unidos em 1934 (Benjamin se suicidou na Europa no início da década de quarenta). Com eles funda em Nova York o Institute for [[lexico:s:social|social]] Research, iniciando uma colaboração de vinte anos de [[lexico:d:duracao|duração]]. Terminada a [[lexico:g:guerra|guerra]], Theodor Adorno e Horkheimer voltam para a Alemanha em 1950 (Marcuse permanece nos Estados Unidos), assumindo o primeiro a cadeira de [[lexico:s:sociologia|sociologia]] em Frankfurt. Adorno e Horkheimer constituem à sua volta um [[lexico:g:grupo|grupo]] de sociólogos e filósofos, entre os quais Siegfried Kracauer, Jurgen Habermas, e outros, que levam o nome de "grupo de Frankfurt". As raízes do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] do grupo de Frankfurt se encontram em [[lexico:h:hegel|Hegel]]; suas principais análises se dirigem no [[lexico:s:sentido|sentido]] de uma [[lexico:c:critica|crítica]] do [[lexico:r:racionalismo|racionalismo]] que domina a [[lexico:s:sociedade|sociedade]] contemporânea e na advertência sobre os meios que tem esta sociedade de absorver e dominar pacificamente os movimentos de revolta que contra ela surgem. O racionalismo da sociedade contemporânea, que, para a maior [[lexico:p:parte|parte]] dos pensadores atuais tem sua [[lexico:o:origem|origem]] na passagem da Idade Média à Idade [[lexico:m:moderna|moderna]] (entre os que sustentam esta [[lexico:p:posicao|posição]] estão figuras tão afastadas quanto o marxista Lukacs e o tomista [[lexico:m:maritain|Maritain]]), é rejeitado, por Adorno e Horkheimer), até a Odisseia e à [[lexico:e:estrutura|estrutura]] dos mitos, onde os dois sociólogos vêm as características centrais da [[lexico:r:racionalizacao|racionalização]]: o imobilismo e a [[lexico:r:repeticao|repetição]] (o [[lexico:m:mito|mito]] pressupõe uma certa visão-do-mundo — uma [[lexico:v:visao|visão]] do [[lexico:m:mundo|mundo]] dogmática, fixada; a repetição ritualística associada ao mito é vista por Adorno e Horkheimer como análoga à repetição monótona das [[lexico:a:atividades|atividades]] dos operários numa linha de produção). Dos meios de absorver as discordâncias internas, o mais poderoso é a [[lexico:c:cultura-de-massa|cultura de massa]], que Adorno e Horkheimer mostraram [[lexico:s:ser|ser]] criada por uma verdadeira indústria cultural. Um país avançado, como os Estados Unidos, [[lexico:n:nao|não]] combate os hippies; ao contrário, cria lojas especializadas em roupas hippies, oferece-lhes [[lexico:l:lugares|lugares]] onde podem se reunir trezentas, quatrocentas, seiscentas mil pessoas para participar de um "festival hippie" na mais perfeita [[lexico:o:ordem|ordem]] e na maior massificação [[lexico:p:possivel|possível]]. Um [[lexico:t:terceiro|terceiro]] [[lexico:c:conceito|conceito]], tomado pelos membros do grupo de Frankfurt a Hegel, a [[lexico:n:nocao|noção]] de [[lexico:n:negatividade|negatividade]], serve para [[lexico:e:explicar|explicar]], dentro de sua visão, as explosões de [[lexico:v:violencia|violência]] das sociedades avançadas: só uma contestação radical (totalmente negativa) pode se situar fora da [[lexico:i:influencia|influência]] da [[lexico:c:capacidade|capacidade]] de [[lexico:a:absorcao|absorção]] da sociedade contemporânea . Em 1968 Adorno se viu apontado, na Alemanha, como um dos "teóricos" da agitação estudantil; ao contrário de Marcuse, sempre se negou a aceitar esta posição. Sua [[lexico:m:morte|morte]] foi precedida [[lexico:b:bem|Bem]] de perto por violentos choques com o estudante de Frankfurt. Muito recentemente, Max Horkheimer, discutindo a [[lexico:q:questao|questão]] de suas [[lexico:r:relacoes|relações]] com Adorno, afirmou que se trata de um engano compreender-se num sentido estritamente social a noção de "negatividade". Atribui Horkheimer a Adorno a pretensão de constituir uma [[lexico:t:theologia|theologia]] occulta, uma "[[lexico:t:teologia|teologia]] da negatividade" em seus [[lexico:e:ensaios|Ensaios]], à maneira do [[lexico:m:misticismo|misticismo]] judaico e do misticismo alemão do [[lexico:f:fim|fim]] da Idade Média. Estas afirmativas de Horkheimer provocaram uma violenta onda polêmica. Sendo [[lexico:a:alem|além]] de sociólogo um musicólogo de grande importância, Adorno se viu retratado por Thomas Mann no Doktor Faustus na [[lexico:p:pessoa|pessoa]] do organista Wendell Kretschmar.