===== ADMIRAÇÃO ===== (gr. thaumazein; lat. Admiratio; in. Wonder; fr. Admiration; al. Bewunderung, Staunen; it. Ammirazionè). Segundo os antigos, a admiração é o [[lexico:p:principio|princípio]] da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]]. Diz [[lexico:p:platao|Platão]]: "Essa [[lexico:e:emocao|emoção]], essa admiração é própria do [[lexico:f:filosofo|filósofo]]; nem tem a filosofia [[lexico:o:outro|outro]] princípio [[lexico:a:alem|além]] desse; e [[lexico:q:quem|quem]] afirmou que íris é filha de Taumas a meu [[lexico:v:ver|ver]] [[lexico:n:nao|não]] errou na genealogia" (Teet., 11,155 d). E [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]]: "Devido à admiração os homens começaram a filosofar e ainda [[lexico:a:agora|agora]] filosofam: de início começaram a admirar as [[lexico:c:coisas|coisas]] que mais facilmente suscitavam [[lexico:d:duvida|dúvida]], depois continuaram pouco a pouco a duvidar até das coisas maiores, como, p. ex., das modificações da lua e do que se refere ao [[lexico:s:sol|sol]], às estrelas e à [[lexico:g:geracao|geração]] do [[lexico:u:universo|universo]]. Aquele que duvida e admira sabe que ignora; por isso, o filósofo é também amante do [[lexico:m:mito|mito]], pois o mito consiste em "coisas admiráveis" (Met., I, 2, 982 b 12 ss.). No princípio da Idade [[lexico:m:moderna|moderna]], [[lexico:d:descartes|Descartes]] exprimiu o mesmo [[lexico:c:conceito|conceito]]: "Quando se nos depara algum [[lexico:o:objeto|objeto]] insólito, que julgamos novo ou diferente do que conhecíamos antes ou supúnhamos que fosse, admiramos [[lexico:e:esse|esse]] objeto e ficamos surpresos; e como isso ocorre antes que saibamos se o objeto nos será ou não [[lexico:u:util|útil]], a admiração me parece a primeira de todas as paixões; e não tem oposto porque, se o objeto que se apresenta não tem em si [[lexico:n:nada|nada]] que nos surpreenda, não somos afetados por ele e o consideramos sem [[lexico:p:paixao|paixão]]" (Pass. de l’âme, II, 53). Nesse [[lexico:p:ponto|ponto]], a [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre Descartes e [[lexico:s:spinoza|Spinoza]] é grande: Spinoza considerou a admiração apenas como a [[lexico:i:imaginacao|imaginação]] de algo a que a [[lexico:m:mente|mente]] permanece atenta por [[lexico:s:ser|ser]] algo desprovido de conexão com outras coisas (Et, III, 52 e escol.) e recusou-se a considerá-la como uma emoção primária e fundamental, e muito menos como uma emoção filosófica que esteja na [[lexico:o:origem|origem]] da filosofia. A única [[lexico:a:atitude|atitude]] filosófica, para ele, é o [[lexico:a:amor|amor]] intelectual a [[lexico:d:deus|Deus]], a [[lexico:c:contemplacao|contemplação]] imperturbável e bem-aventurada da conexão necessária de todas as coisas na [[lexico:s:substancia|Substância]] Divina. Para Aristóteles e para Descartes, a admiração é, ao contrário, a atitude que está na [[lexico:r:raiz|raiz]] da dúvida e da [[lexico:i:investigacao|investigação]]: é tomar [[lexico:c:consciencia|consciência]] de não [[lexico:c:compreender|compreender]] o que se tem à frente, que, mesmo sendo familiar, sob outros aspectos revela-se, a certa altura, inexplicável e maravilhoso. [[lexico:k:kant|Kant]] falava da admiração a propósito da [[lexico:f:finalidade|finalidade]] da [[lexico:n:natureza|natureza]], porquanto esta é inexplicável com os [[lexico:c:conceitos|conceitos]] do [[lexico:i:intelecto|intelecto]] (Crtt. do [[lexico:j:juizo|Juízo]], § 62). Por sua vez, [[lexico:k:kierkegaard|Kierkegaard]] definia a admiração como "o [[lexico:s:sentimento|sentimento]] [[lexico:a:apaixonado|apaixonado]] pelo [[lexico:d:devir|devir]]" e a reputava própria do filósofo que considera o passado, como um [[lexico:s:sinal|sinal]] da não-necessidade do passado. "Se o filósofo não admira nada (e como poderia, sem [[lexico:c:contradicao|contradição]], admirar uma construção necessária?), é por isso mesmo estranho à [[lexico:h:historia|história]], já que, onde quer que entre em [[lexico:j:jogo|jogo]] o devir (que certamente é no passado), a incerteza do que seguramente se transformou (a incerteza do devir) só pode exprimir-se por [[lexico:m:meio|meio]] dessa emoção necessária ao filósofo e própria dele" (Philosophische Brocken, p. IV, § 4). Whitehead disse: "A filosofia nasce da admiração" (Nature and Life, 1934, 1).