===== ADEQUAÇÃO ===== (lat. Adaequatio; in. Adequation; fr. Adéquation; al. Übereinstimmung; it. Adequazioné). Um dos critérios de [[lexico:v:verdade:start|verdade]], mais precisamente aquele pelo qual um [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] é [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] se está [[lexico:a:adequado:start|adequado]] ao [[lexico:o:objeto:start|objeto]], isto é, se se assimila e corresponde a ele de tal [[lexico:m:modo:start|modo]] que reproduza, o mais [[lexico:p:possivel:start|possível]], a sua [[lexico:n:natureza:start|natureza]]. A [[lexico:d:definicao:start|definição]] da verdade como "adequação do [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]] e da [[lexico:c:coisa:start|coisa]]" foi dada pela primeira vez pelo [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] hebraico Isac Ben Salomão Israel (que viveu no Egito entre 845 e 940) no seu Liberde definitionibus. Essa definição foi retomada por [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] que lhe deu uma [[lexico:e:exposicao:start|exposição]] clássica (S. Th., I, 16, 2; Contra Gent., I, 59; De [[lexico:v:ver:start|ver]]., q. 1, a. 1). As [[lexico:c:coisas:start|coisas]] naturais, cuja [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] o nosso intelecto recebe, são a [[lexico:m:medida:start|medida]] do intelecto, já que este possui a verdade só na medida em que se conforma às coisas. As próprias coisas são, por sua vez, medidas pelo intelecto [[lexico:d:divino:start|divino]], no qual subsistem suas formas tal como as formas das coisas artificiais subsistem no intelecto do artífice. [[lexico:d:deus:start|Deus]], portanto, é a verdade suprema porquanto o seu [[lexico:e:entendimento:start|entendimento]] é a medida de tudo [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] e de todos os outros entendimentos. A [[lexico:n:nocao:start|noção]] de adequação (ou [[lexico:a:acordo:start|acordo]], ou conformidade, ou [[lexico:c:correspondencia:start|correspondência]]) é pressuposta e empregada por muitas filosofias, mais precisamente por todas as que consideram o conhecimento como uma [[lexico:r:relacao:start|relação]] de [[lexico:i:identidade:start|identidade]] ou [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] (v. conhecimento). [[lexico:l:locke:start|Locke]] afirma que "o nosso conhecimento é [[lexico:r:real:start|real]] só se há conformidade entre as [[lexico:i:ideias:start|ideias]] e a [[lexico:r:realidade:start|realidade]] das coisas" (Ensaio, IV, 4, § 3). O [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:k:kant:start|Kant]] declara pressupor "a definição nominal da verdade como acordo do conhecimento com o seu objeto" e propõe-se o [[lexico:p:problema:start|problema]] ulterior do [[lexico:c:criterio:start|critério]] "[[lexico:g:geral:start|geral]] e seguro para determinar a verdade de cada conhecimento" (Crít. R. Pura, [[lexico:l:logica:start|Lógica]] transe, Intr., III) e [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] usa explicitamente a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de correspondência (Ene, § 213): "A ideia é a verdade, já que a verdade é a correspondência entre [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]] e o [[lexico:c:conceito:start|conceito]], mas [[lexico:n:nao:start|não]] que coisas externas correspondam às minhas representações; estas são apenas representações exatas que [[lexico:e:eu:start|eu]] tenho como [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]]. Na ideia não se trata nem disto, nem de representações, nem de coisas externas". Aqui Hegel faz a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre a exatidão das representações finitas, próprias do indivíduo, enquanto correspondentes a objetos finitos, e a verdade do conceito [[lexico:i:infinito:start|infinito]], ao qual só pode corresponder a ideia infinita ("O [[lexico:s:singular:start|singular]] [[lexico:p:por-si:start|por si]] não corresponde ao seu conceito: esta [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] da sua [[lexico:e:existencia:start|existência]] constitui a [[lexico:f:finitude:start|finitude]] e a ruína do singular"). Num e noutro caso, o critério é sempre o da correspondência. Na [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] [[lexico:l:linguistica:start|linguística]] da [[lexico:f:filosofia-analitica:start|filosofia analítica]] contemporânea mantém-se a noção de correspondência como relação de semelhança entre [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] e realidade. [[lexico:w:wittgenstein:start|Wittgenstein]], p. ex., diz: "A [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] é a [[lexico:i:imagem:start|imagem]] (Bild) da realidade... A proposição, se é verdadeira, mostra como estão as coisas" (Tractatus, 4.021, 4.022). A coincidência entre doutrinas tão diferentes sobre essa noção de verdade deve-se à [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] do conhecimento como relação de [[lexico:a:assimilacao:start|assimilação]]. (Entre o intelecto e a coisa) adequado — (Do latim adaequare, de ad+aequare = tornar igual). a) Diz-se do [[lexico:t:termo:start|termo]], imagem ou ideia que representa, perfeita e completamente, o objeto que deseja enunciar, em seus aspectos genéricos e específicos. b) [[lexico:s:spinoza:start|Spinoza]] usa-o para expressar os [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] “intrínsecos” de uma ideia verdadeira em [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] às concordâncias “extrínsecas” da ideia e do seu objeto. Segundo Franck, para Spinoza “o conhecimento adequado por [[lexico:e:excelencia:start|excelência]] é o da eterna e infinita [[lexico:e:essencia:start|essência]] de Deus, implicitamente encerrada em cada uma de nossas ideias. E é nesse conhecimento que ele faz consistir a [[lexico:i:imortalidade-da-alma:start|imortalidade da alma]] e o [[lexico:s:soberano-bem:start|soberano bem]]”. A ideia representa a essência invariável e [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]] das coisas, enquanto a [[lexico:s:sensacao:start|sensação]] corresponde aos aspectos variáveis, às aparências fugitivas. Assim, quanto mais afastada da sensação, mais depurada das afeições, da [[lexico:s:sensibilidade:start|sensibilidade]] em geral, mais conforme à natureza real da coisa representada, mais é adequada. c) Para Leibnitz, é adequado um conhecimento quando distinto, distintos seus [[lexico:e:elementos:start|elementos]], quando “se revela tudo quanto contém o conceito”, isto é, uma noção, que é inteiramente analisada em noções [[lexico:s:simples:start|simples]], de maneira que possamos conhecer [[lexico:a:a-priori:start|a priori]] a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]]. d) Chamavam os escolásticos “adequação entre o intelecto e a coisa” (aedequatio rei et intellectus) a [[lexico:e:expressao:start|expressão]] da [[lexico:v:verdade-ontologica:start|verdade ontológica]], pela qual há conformidade e perfeita correspondência entre a essência do objeto mentalizado e o seu [[lexico:m:modelo:start|modelo]]. Constitui, assim, o [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] da conformidade lógica entre o objeto e seu juizo. No [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]] [[lexico:m:moderno:start|moderno]], vamos encontrar a [[lexico:s:substituicao:start|substituição]] dessa adequação pela [[lexico:t:tese:start|tese]] da primazia do [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] sobre o [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]]; portanto, um novo [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de adequação. A [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]] volve ao [[lexico:s:sentido:start|sentido]] antigo de adequação. Aceita não somente a adequação total ([[lexico:i:intuicao-das-essencias:start|intuição das essências]]), como, também, no sentido de [[lexico:r:reducao:start|redução]] da verdade à correspondência entre a [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] e a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]] do afirmado. e) Nem de todas as ideias podemos formar uma imagem adequada, como, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], as ideias metafísicas, ou aquelas que, embora físicas, só possuímos meios metafísicos para conhecê-las. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}