===== ACIDENTE PREDICAMENTAL ===== O [[lexico:a:acidente-predicamental:start|acidente predicamental]] define-se como aquele cuja [[lexico:q:quididade:start|quididade]] consiste em [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:n:nao:start|não]] em si, mas em [[lexico:o:outro:start|outro]], que é [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] de inesão. O que caracteriza, portanto, o [[lexico:a:acidente:start|acidente]] é ser inerente em outro, ou seja inesse (em outro). No inesse, temos: atribui-se formalmente algum ser secundário, que supõe um ser primeiro consubstanciai, e dependência em ser [[lexico:s:substancial:start|substancial]], e com dependência em ser de um sujeito. Da [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] predicamental se define a [[lexico:o:ordem:start|ordem]] das partes no [[lexico:t:todo:start|todo]]. Sendo que o [[lexico:t:termo:start|termo]] ordem significa [[lexico:p:posicao:start|posição]] das partes extra partes, o que quer dizer que a quantidade é o acidente atribuído ao sujeito por [[lexico:t:ter:start|ter]] partes extra partes quanto a si. A ordem é o [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] da [[lexico:r:relacao:start|relação]], na qual consiste a [[lexico:e:essencia:start|essência]] da [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]], e não é relação da ordem. Desta maneira, a ordem fundamental é o fundamento da relação, segundo [[lexico:p:prioridade:start|prioridade]] e posterioridade. A quantidade, portanto, contém [[lexico:m:multidao:start|multidão]] de partes, e desta multidão, ordem, segundo a posição em que as partes são colocadas extra partes, segundo prioridade e posterioridade. A quantidade [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] é aquela que abstrai esta ordem, e é apenas a multidão dos entes tomados conjuntamente como [[lexico:n:numero:start|número]] transcendental, ou, então, é tomado indivisamente, como a plenitude de uma [[lexico:p:potencia:start|potência]], quando se diz quantidade de [[lexico:v:virtude:start|virtude]]. A quantidade predicamental é também a [[lexico:e:extensao:start|extensão]], chamada quantidade dimensível, que é acidente das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] materiais, e é [[lexico:m:medida:start|medida]] da [[lexico:m:materia:start|matéria]]. A quantidade predicamental se divide em contínua e discreta. É contínua, quando suas partes continuam entre si, em que seus extremos são um, e descontínua, ao contrário. A quantidade contínua chama-se linha, quando tem uma única [[lexico:d:dimensao:start|dimensão]]; superfície, quando tem duas; [[lexico:c:corpo:start|corpo]], quando tem três. Chamam-se unidades predicamentais as últimas partes de um número de uma quantidade. O número predicamental é o que decorre da quantidade discreta, que surge da [[lexico:d:divisao:start|divisão]] da quantidade contínua, que é multidão de partes entre si discretas, em que cada uma é uma quantidade contínua, extensa. O número predicamental é a verdadeira e própria [[lexico:e:especie:start|espécie]] da quantidade, porque ela mesma ordena as partes discretas, as unidades extra partes. Deste [[lexico:m:modo:start|modo]], não é apenas a colecção de muitos, mas a sua ordem quantitativa, ordem segundo prioridade e posterioridade. Da [[lexico:u:unidade:start|unidade]] resulta o número; ou seja, a ordem da posição discreta, que é o novo acidente realmente distinto da [[lexico:s:substancia:start|substância]] tomada singularmente, como também da sua quantidade contínua. O número é um per se, unidade da ordem, que é um acidente. O número é, portanto, uma ordem de posição das partes discretas, e ordena muitos sobre uma ordem. Não se pode dizer que é um o que não tem um sujeito. Tomado nas coisas da [[lexico:n:natureza:start|natureza]], o número, considerado meramente numérico, é um. O número diversifica segundo a [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]]. O número é terminado e determinado pela última unidade. A linha, a superfície e o corpo matemático são verdadeiras espécies da quantidade. O [[lexico:l:lugar:start|lugar]], o [[lexico:m:movimento:start|movimento]] e o [[lexico:t:tempo:start|tempo]] não são espécies da quantidade, mas são quanta [[lexico:p:por-acidente:start|por acidente]]. Assim, o lugar é a superfície [[lexico:a:ambiente:start|ambiente]], que contém o locado, o que não significa especial [[lexico:r:razao:start|razão]] de extensão, mas sim algo que é fora do [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de quantidade, e que nele acontece. O um, tomado em si, não é número, porque o número implica multidão. O um transcendental [[lexico:n:nada:start|nada]] de [[lexico:r:real:start|real]] acrescenta ao [[lexico:e:ente:start|ente]], mas significa o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] ser enquanto é concebido como um indiviso, enquanto que o um predicamental acrescenta algo ao ente, pois não significa apenas o ente, mas o ente como um quantum. Propriedades da quantidade — Assim, na [[lexico:f:fisica:start|Física]], são conhecidas as propriedades como a extensão local, a [[lexico:i:impenetrabilidade:start|impenetrabilidade]], a mensurabilidade. a [[lexico:d:divisibilidade:start|divisibilidade]]. Como propriedades lógicas, temos: 1) não ter contrários, de [[lexico:c:contrariedade:start|contrariedade]] propriamente dita. A razão é [[lexico:s:simples:start|simples]]: os contrários, que estão no mesmo sujeito, repelem-se mutuamente. Mas, a quantidade não repele a quantidade. Pois uma quantidade não produz outra quantidade, mas a quantidade retirada é extraída da quantidade. Grande e pequeno, muito e pouco são opostos, não contrários, apenas relativamente, pois se diz que uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] é grande em relação a uma menor, e se diz que é menor em relação ã maior. Assim duzentos é grande em relação a três, e é pequeno em relação a dois mil. 2) Não [[lexico:e:estar:start|estar]] sujeita a mais e menos. Um número pode ser maior que outro; contudo, não é mais número (enquanto número). 3) A quantidade funda-se na relação de [[lexico:i:igualdade:start|igualdade]] e desigualdade, porque torna o sujeito mensurável, e o que convém nalguma medida é [[lexico:c:chamado:start|chamado]] igual, e o que não convém, desigual. DA QUALIDADE PREDICAMENTAL — A qualidade é tomada: 1) como [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] essencial, que é chamada a qualidade do [[lexico:g:genero:start|gênero]]: 2} como um acidente qualquer; 3) estritamente como algo especial de algum acidente, que responde â [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] qualis?, endereçada à substância, e que convém absolutamente à substância distinguida e determinada esta. Separa-se da quantidade, que também convém absolutamente à substância, que, contudo, não a distingue nem a determina. São Tomás define como o acidente modificativo ou determinativo da substância em si-mesma, e que se distingue dos outros acidentes, porque estes não determinam absolutamente em si mesmos a substância, mas em ordem a outro termo, como a relação, ou em ordem de adjacentes extrínsecos, [[lexico:c:como-se:start|como se]] vê em outros [[lexico:p:predicamentos:start|predicamentos]]. Tomada estritamente, a qualidade, enquanto gênero supremo, divide-se em [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] espécies, que são [[lexico:h:habito:start|hábito]] e [[lexico:d:disposicao:start|disposição]], potência e impotência, [[lexico:p:paixao:start|paixão]] e qualidade de sofrer, [[lexico:f:forma:start|forma]] e [[lexico:f:figura:start|figura]]. A qualidade determina a substância em seu ser ou como quantum. Como quantum, determina a posição das partes da substância; é forma e figura. Se determina a substância no seu próprio ser, determina em si mesma, pelo qual ela é constituída como hábito e [[lexico:e:exposicao:start|exposição]], ou em ordem à sua [[lexico:a:atividade:start|atividade]] e passividade, pelo qual é constituída em potência e impotência, etc. DO HÁBITO (vide) — O termo habitus predica-se da coisa, não enquanto esta tem algo porque isso é o que constitui propriamente o [[lexico:p:predicamento:start|predicamento]] hábito, mas enquanto a coisa se há (habet) em si-mesma; ou seja, como ela se há em si mesma. A disposição é definida como o acidente facilmente [[lexico:m:movel:start|móvel]], que dispõe o sujeito a [[lexico:b:bem:start|Bem]] ou [[lexico:m:mal:start|mal]] haver-se em [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]. Hábito e disposição diferem intrínseca e especificamente, porque uma pode ser fácil e outra difícil, assim como a [[lexico:o:opiniao:start|opinião]], por sua natureza, é fácil, enquanto a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] é difícil, e, no obstinado, a opinião pode ser dificilmente removível, enquanto a ciência, ao contrário. O hábito pode ser entitativo e operativo. Ambos determinam a substância, mas o operativo determina por ordem à atividade o hábito meramente entitativo. O hábito operativo pode ser tomado estritamente ou não. O primeiro consiste, por modo de inclinação, na [[lexico:i:indeterminacao:start|indeterminação]] da potência, que impede operar no bem ou no mal. A secunda consiste na [[lexico:a:acao:start|Ação]] cognoscitiva e operativa. A potência é definida como o acidente que dispõe o sujeito a operar ou a resistir. A resistência, contudo, também é uma [[lexico:o:operacao:start|operação]]. Divide-se a. potência em ativa e passiva. Ativa é a que realiza uma Ação [[lexico:t:transeunte:start|transeunte]], que transita fora da potência do sujeito para algo. E passiva, a que permanece imanentemente. Assim se diz que a potência ativa é transeunte ou transitiva, e a passiva é [[lexico:i:imanente:start|imanente]]. DA PAIXÃO ([[lexico:p:passio:start|passio]]) — A [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de sofrer alterações de uma qualidade a uma outra oposta, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] de uma cor a outra cor, diz-se paixão, que é a capacidade de [[lexico:a:alteracao:start|alteração]], de ser alterado. Chamam-se qualidades passivas aquelas que estão sujeitas a mudanças de graus de [[lexico:i:intensidade:start|intensidade]], como as cores, os sons, o odor, o sabor, etc. Estas são imediatamente [[lexico:p:por-si:start|por si]] sensibiles, sensíveis. As cores, como o vermelho, o azul, são distintas por diferenças próprias, já o branco e o negro são diferenças de intensidade na [[lexico:l:luz:start|luz]], uma o [[lexico:g:grau:start|grau]] máximo de intensidade e a outra o mínimo de intensidade. As qualidades químicas não são sensíveis imediatamente per se, como, por exemplo, a [[lexico:a:afinidade:start|afinidade]] química, a densidade, a raridade. A figura define-se como a [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] da quantidade pela qualidade e é acidental; a forma é tomada qualitativamente como a proporção devida à figura, como se observa nas coisas artificiais. Propriedades da qualidade: 1 ) tem contrários. Esta [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] convém unicamente à qualidade, mas nem todas as qualidades admitem contrários. Assim, na Física, o calor não tem contrário, embora tenha graus, pois o frio é um grau de calor. 2) Admite o mais e menos, li outra propriedade que convém à qualidade. Mas nem todas qualidades a admitem. 3Í Segundo a qualidade, as coisas podem ser ditas semelhantes ou dessemelhantes. DA [[lexico:r:relacao-predicamental:start|RELAÇÃO PREDICAMENTAL]] — Tomada em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] lato, relação é a ordem de um a outro. Pode ser segundo se diz (secundum dici), que é a relação no ser [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]], ou pura, e relação segundo o ser (secundum [[lexico:e:esse:start|esse]]), que se refere a outro, como a relação de paternidade. A relação secundum esse pode ser real e de razão. É real, quando se dá nas coisas da natureza, independentemente da consideração da [[lexico:m:mente:start|mente]], como a entre pai e [[lexico:f:filho:start|filho]]; e de razão, quando apenas subsiste no [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]], como a relação de [[lexico:p:predicado:start|predicado]] a sujeito. A relação secundum dici chama-se transcendental, quando se refere aos predicamentos. Assim a matéria, em relação ao gênero da substância, refere-se, transcendentalmente, à forma, e a forma à matéria. A relação real secundum esse é a relação predicamental quando é acidente real, cujo ser se dá totalmente em relação a outro. Como acidente real distingue-se da relação de razão e distingue-se da relação transcendental, porque, nesta, todo ser não se dá ante outro, como numa [[lexico:e:entidade:start|entidade]] absoluta, na qual não se inclui ordem a outro. Na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], a relação predicamental consiste em ser ad aliud (a outro). A relação secundum dici é a ordem inclusa na essência da coisa absoluta. A relação secundum esse é a ordem de uma outra essência da coisa adveniente, ou seja, aquela em que todo ser se refere a outro. A relação divide-se, acidentalmente, em mútua e não mútua. A primeira é aquela que corresponde a outra relação real, como a paternidade corresponde à filiação; a não-mútua é o contrário. Assim, a relação de ciência a seu [[lexico:o:objeto:start|objeto]] é não-mútua. Entre as [[lexico:r:relacoes:start|relações]], podemos notar: a relação de conveniência e inconveniência, que pode ser segundo a quantidade ou a qualidade e a substância. Segundo a substância, temos a [[lexico:i:identidade:start|identidade]] e a diversidade ([[lexico:d:distincao:start|distinção]]). Segundo a quantidade, temos a igualdade e a desigualdade, e segundo a qualidade, temos a [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] e a [[lexico:d:dessemelhanca:start|dessemelhança]]. A distinção ou diversidade pode ser genérica ou específica ou numérica, segundo a espécie, o gênero ou o número. Nesta última, a distinção pode dar-se segundo a posição, a distância, a não-distância, ou segundo a ordem de prioridade e posterioridade, etc. A relação de [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]] é a que surge entre [[lexico:c:causa-e-efeito:start|causa e efeito]]. Propriedades da relação: 1) A relação não tem contrários. A razão é porque os estritamente contrários não podem estar no mesmo sujeito. 2) A relação de per si não está sujeita a mais e menos, mas apenas por acidente. 3) É relativa ou mútua (correlativa), quando uma é explicada pela outra, como pai e filho, senhor e [[lexico:e:escravo:start|escravo]]. DA AÇÃO E DA PAIXÃO PREDICAMENTAL (comentários) — Define-se a ação como o [[lexico:a:ato:start|ato]] pelo qual uma [[lexico:c:causa:start|causa]] eficiente é causante em ato. É a ação o exercício da causalidade eficiente. É o que diferencia as [[lexico:c:causas:start|causas]] extrínsecas das intrínsecas. Estas causam imediatamente, enquanto as outras não, mas apenas por [[lexico:m:meio:start|meio]] de uma [[lexico:r:realidade:start|realidade]] distinta destas. Assim, a causa final, que é extrínseca, causa mediante a petição, e a eficiente, que é intrínseca, causa mediante a ação. Pai vão (ou capacidade de determinabilidade) é o acidente pelo qual o sujeito é constituído como ato recipiente da ação do sujeito. A paixão (passio) corresponde à ação. A ação pode ser produtiva de uma substância ou de um acidente. A primeira chama-se [[lexico:g:geracao:start|geração]] da substância; a segunda realiza apenas uma [[lexico:m:mutacao:start|mutação]] na substância, é a geração do acidente. DO [[lexico:u:ubi:start|ubi]] (DO ONDE) PREDICAMENTAL — Em sentido lato, entende-se por ubi (o onde) a [[lexico:p:presenca:start|presença]] no local. O local pode ser circunscritivo ou extenso, ou não circunscritivo, ou inextenso. O ubi predicamental é a presença em local circunscritivo. O onde é o local em que é colocado o corpo no ambiente. DO LUGAR PREDICAMENTAL — O lugar é o acidente que dispõe as partes no onde. DO QUANDO PREDICAMENTAL — É o acidente que consiste na disposição de algo simultaneamente no tempo ou não simultaneamente, segundo o seu movimento ou a sua quietação. Daí poder-se, segundo o tempo, dizer que uma coisa é simultânea; ou tem prioridade ou posterioridade, que são divisões do tempo ([[lexico:i:instante:start|instante]], [[lexico:a:agora:start|agora]], que equivale à [[lexico:s:simultaneidade:start|simultaneidade]], e passado, à prioridade, e [[lexico:f:futuro:start|futuro]], à posterioridade). DO HÁBITO PREDICAMENTAL (comentários) — Hábito é o que imediatamente nos corpos resulta de um adjacente [[lexico:e:extrinseco:start|extrínseco]], não mensurante. Quando é mensurante resulta o ubi, onde; quando não é mensurante, resulta o hábito. Assim, as vestes, que são extrinsecas ao [[lexico:h:homem:start|homem]], tomam o [[lexico:n:nome:start|nome]] de hábito. DOS POSTPREDICAMENTOS — Chamam-se de postpredicamentos as propriedades comuns dos predicamentos. Temos a [[lexico:o:oposicao:start|oposição]], a prioridade, a simultaneidade, a [[lexico:m:mocao:start|moção]] e o haver, que se referem a todos os predicamentos. Diz-se que há oposição entre muitos, quando entre si não convém. Há prioridade, quando um precede a outro em qualquer ordem (cronologicamente, axiologicamente, ontologicamente, etc). Simultaneidade é a [[lexico:n:negacao:start|negação]] de prioridade e posterioridade. O haver é o modo, segundo o qual uma coisa se ordena a outra. Temos, assim, o modo de haver por [[lexico:i:inerencia:start|inerência]], que é o modo, a [[lexico:m:modal:start|modal]], pelo qual o acidente se há em relação à substância; por continência, quando contido na substância; por [[lexico:p:posse:start|posse]], quando é vim haver da substância; por relação como a que se dá entre pai e filho; e por justaposição, quando se diz que algo tem outro aposto ao lado, como a Itália tem a Suíça ao norte. Moção se diz do [[lexico:e:estado:start|Estado]] de [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] e da via, pelo qual um sujeito se transfere de um modo de haver para outro. Entre as moções, temos a [[lexico:c:corrupcao:start|corrupção]], o [[lexico:d:devir:start|devir]]. Quando a moção é substancial, temos a corrupção, se há [[lexico:p:perda:start|perda]] da forma; geração, quando adquire uma forma; alteração, quando há moção de qualidade para qualidade; movimento local, quando há [[lexico:t:transferencia:start|transferência]], transladação de vim ubi para outro ubi; [[lexico:a:aumento:start|aumento]], quando passa de menor para maior quantidade; [[lexico:d:diminuicao:start|diminuição]], ao inverso. (Vide Moção). QUANTIDADE E A QUALIDADE (comentários) — Estas duas [[lexico:c:categorias:start|categorias]] aristotélicas exigem alguns comentários, quando comparadas, pois são férteis em muitas distinções importantes. Só as quantidades são comparáveis, e à razão cabe a [[lexico:f:funcao:start|função]] da comparação. [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] comparável da qualidade é o [[lexico:q:quantitativo:start|quantitativo]] da qualidade, o grau de intensidade, o que é quantitativamente redutível. Não podemos [[lexico:c:comparar:start|comparar]] uma qualidade com outra, uma cor com um sabor, mas podemos comparar um amarelo com um menos amarelo. Na quantidade, o acrescentamento aumenta; na qualidade, não. Um verde mais um verde não formam duas vezes verdes, enquanto uma medida, quantitativa e outra igual formam duas. Só podemos comparar, qualitativamente, quando há duas qualidades especificamente iguais. Então, o que comparamos é o quantitativo: um objeto, mais ou menos pesado do que outro; um amarelo, mais ou menos amarelo que outro. As qualidades são heterogêneas. Cada uma forma uma ordem, uma ordem própria, e quando se passa de uma qualidade para outra, passa-se de uma. ordem para outra. Não comparamos o verde com o pesado, a cor com o sabor. As quantidades, co- mo qualidades, são incomparáveis e incomensuráveis. Quando dizemos que a cor tal é o resultado de tantas vibrações, e comparamos quantitativamente com outra cor de vibrações luminosas de menor número, comparamos apenas o quantitativo, o número das vibrações, não a qualidade. Não se deve argumentar com as comparações estéticas, que falam de um som verde, ou de um som azul, porque não são comparações, mas transposições, substituições, metáforas. Os psicofísicos quiseram comparar as qualidades sob a base das intensidades, reduzindo-as à extensão. A razão prefere a quantidade. E vamos mostrar por que. O que aparece é a qualidade. (A figura, estereométrica, dos corpos é uma delimitação qualitativa da quantidade. Esta, em si, não é captada pelos sentidos, mas sempre no conjunto qualitativo-quantitativo, pois o [[lexico:t:tato:start|tato]], que é o sentido em que há predominância do quantitativo, nunca exclui a qualidade). Nós vemos objetos que são amarelos, azuis, encarnados, pesados, leves, velozes, etc. A quantidade revela-se logo. A razão busca o mais firme, o mais sólido; e não o que aparece, o que muda, cambia. Procura a quantidade, porque esta permite a comparação. Podemos comparar quantitativamente um livro com uma mesa e dizer que aquela contém 10 livros deste de largura. Mas as qualidades já não podemos fazê-lo do mesmo modo. A qualidade, por [[lexico:d:definicao:start|definição]], tende para o diferente. Pela quantidade a razão une, sintetiza. Boutroux (1845-1921) combate o que ele chama de [[lexico:r:racionalismo:start|racionalismo]] quantitativo, que tende para reduzir a qualidade à quantidade. “...a, [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] de uma quantidade pura de toda qualidade. . ., mas que [[lexico:i:ideia:start|ideia]] se pode fazer de tal objeto? Uma quantidade não pode ser senão uma [[lexico:g:grandeza:start|grandeza]] ou um grau de qualquer coisa, e essa qualquer coisa é precisamente a qualidade . . .” Em [[lexico:s:suma:start|suma]]: a quantidade é incompreensível sem a qualidade. Uma implica a outra. São dois [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]], um da razão e outro da [[lexico:i:intuicao:start|intuição]], que se implicam dialeticamente. A [[lexico:a:abstracao:start|abstração]] pura da quantidade, como da qualidade, leva a um «impasse» da razão, como se vê no racionalismo. Ambas, abstratamente (tomada em separado), tornam-se ininteligíveis. Concretamente consideradas (dialeticamente), em conjunto consideradas, completam-se. É mais um antagonismo que se complementa, porque é resultado do funcionamento dialético da [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}