===== ACESSO ===== O [[lexico:e:esforco|esforço]] de [[lexico:c:constituicao|constituição]] do acesso à [[lexico:c:coisa|coisa]] ela mesma pode, de [[lexico:f:fato|fato]], [[lexico:n:nao|não]] abdicar de uma fixação do seu [[lexico:s:sentido|sentido]] feita por [[lexico:p:palavras|palavras]]; o perigo, porém, resulta da [[lexico:a:ambiguidade|ambiguidade]] inerente a tudo quanto é trazido à [[lexico:p:palavra|palavra]] e que, como vimos, condiciona o acesso ao [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] sentido do que está a [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:e:enunciado|enunciado]]. Uma tal ambiguidade é extrema no caso da [[lexico:r:reproducao|reprodução]] poética (μίμησις ποιητική ), onde se pode identificar uma [[lexico:s:situacao|situação]], de [[lexico:t:todo|todo]] em todo paradoxal, resultante da [[lexico:p:perspectiva|perspectiva]] patológica sobre a qual assenta a nossa [[lexico:c:compreensao|compreensão]] e [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] das situações (πράξεις ) humanas. As enunciações e expressões encontradas nos textos podem ser apenas um «remédio para a [[lexico:m:memoria|memória]] e para o [[lexico:s:saber|saber]]» [Fedro, 274e6. Cf. Ian Rutherford, «μνήμης... φάρμακον at Plato Phaedrus 274e-275a», Hermes, 118, 3, (1990), pp. 377-379.], [[lexico:c:como-se|como se]] o seu domínio significasse automaticamente um domínio da «coisa mesma». Mas se não se anular a distância mimética relativamente às situações a que se procura dar [[lexico:e:expressao|expressão]], o acesso ao sentido do que trazem à palavra fica preso à mesma situação paradoxal que identificáramos na [[lexico:t:tragedia|tragédia]] e na [[lexico:c:comedia|comédia]], com a agravante de que a [[lexico:a:atitude|atitude]] filosófica pode ser ridicularizada, na [[lexico:m:medida|medida]] em que tem a pretensão arrogante de dizer a [[lexico:v:verdade|verdade]] acerca da [[lexico:v:vida|vida]] ou então a busca da verdade tem o [[lexico:c:caracter|carácter]] patético-trágico da busca de algo que não existe. [CaeiroArete:108]