===== A PRIORI ===== Com esses dois termos ([[lexico:a:a-priori|a priori]] e [[lexico:a:a-posteriori|a posteriori]]) foram designados os [[lexico:e:elementos|elementos]] das três distinções seguintes: 1) a [[lexico:d:distincao|distinção]] entre a [[lexico:d:demonstracao|demonstração]] que vai da [[lexico:c:causa|causa]] ao [[lexico:e:efeito|efeito]] e a que vai do efeito à causa; 2) a distinção entre os conhecimentos que podem [[lexico:s:ser|ser]] obtidos com a [[lexico:r:razao-pura|razão pura]] e os conhecimentos que podem ser obtidos com a [[lexico:e:experiencia|experiência]]; 3) a distinção entre tautologias e verdades empíricas. 1) A primeira distinção, que remonta à [[lexico:e:escolastica|escolástica]], liga-se à distinção aristotélica entre "[[lexico:o:o-que-e|o que é]] anterior e mais conhecido para nós" e "o que é anterior e mais conhecido por [[lexico:n:natureza|natureza]]", distinção que [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] assim esclarecia: "Dizendo anterior e mais conhecido em [[lexico:r:relacao|relação]] a nós, pretendo referir-me ao que está mais perto da [[lexico:s:sensacao|sensação]]; dizendo, porém, anterior e mais conhecido absolutamente, pretendo referir-me ao que está mais longe da sensação". E como os objetos mais distantes da sensação são os mais [[lexico:u:universais|universais]], ao passo que os mais próximos dela são os singulares, aquilo que é primeiro absolutamente, ou por natureza, é precisamente o [[lexico:u:universal|universal]] (An. post., 1, 2, 72 a 1 ss.). A partir de Alfarabi, a [[lexico:f:filosofia-arabe|filosofia árabe]] havia formulado a distinção entre a demonstração propter quide a demonstração quia, que Alberto da Saxônia depois chamou, respectivamente, de demonstrações a priori e demonstrações a posteriori. "A demonstração é dupla", diz Alberto; "uma é a que vai das [[lexico:c:causas|causas]] ao efeito e chama-se demonstração a priori, ou demostração propter [[lexico:q:quid|quid]], ou demonstração perfeita, e dá a conhecer a [[lexico:r:razao|razão]] pela qual o efeito existe. A outra é a demostração que vai dos efeitos às causas e chama-se demonstração a posteriori, ou demonstração quia, ou demonstração [[lexico:n:nao|não]] perfeita, e dá a conhecer as causas pelas quais o efeito existe" (An. post., I, q. 9). Com [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:s:sentido|sentido]], ambos os termos são usados durante toda a escolástica e até o séc. XVII, para indicar duas espécies de demonstração. 2) A partir do séc. XVII, por [[lexico:o:obra|obra]] de [[lexico:l:locke|Locke]] e do [[lexico:e:empirismo-ingles|empirismo inglês]], os dois termos adquirem [[lexico:s:significado|significado]] mais [[lexico:g:geral|geral]]: a priori passa a designar os conhecimentos que podem ser obtidos mediante o exercício da razão pura e a posteriori, ao contrário, os que podem ser obtidos pela experiência. [[lexico:h:hume|Hume]] e [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] estão de [[lexico:a:acordo|acordo]] em contrapor, nesse sentido, a priori e a posteriori. Diz Hume: "Ouso afirmar, como [[lexico:p:proposicao|proposição]] geral que não admite [[lexico:e:excecao|exceção]], que o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] da relação de [[lexico:c:causa-e-efeito|causa e efeito]] não é, em nenhum caso, alcançado pelo [[lexico:r:raciocinio|raciocínio]] a priori, mas surge inteiramente da experiência, quando descobrimos que certos objetos particulares estão constantemente unidos a outros" (Inq. Cone. Underst, IV, 1). E Leibniz contrapõe constantemente o "conhecimento a priori" ao "conhecimento por experiência" (Nouv. ess., III, 3, S 15; Monad., § 76) e "a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] [[lexico:e:experimental|experimental]], que procede a posteriori", à razão pura", que "justifica a priori’ (Op., ed. Erdmann, p. 778 b). [[lexico:w:wolff|Wolff]] exprimia, com sua costumeira clareza, o [[lexico:u:uso|uso]] dominante em seu [[lexico:t:tempo|tempo]] dizendo: "O que aprendemos com a experiência, dizemos conhecer a posteriori; o que sabemos pelo raciocínio dizemos conhecer apriori’ (Psychol. emp., §§ 5, 434 ss.). A [[lexico:n:nocao|noção]] kantiana de a priori, como conhecimento [[lexico:i:independente|independente]] da experiência, mas não precedente (no sentido cronológico) à própria experiência, é, sob certo [[lexico:a:aspecto|aspecto]], a mesma de Leibniz e dos wolffianos. "Existem", dizia Leibniz, "[[lexico:i:ideias|ideias]] que não nos vêm dos sentidos e que encontramos em nós sem formá-las, ainda que os sentidos nos deem [[lexico:o:ocasiao|ocasião]] de apercebê-las" (Nouv. ess., I, 1, § 1). [[lexico:k:kant|Kant]] deu mais rigor a essa noção, distinguindo os conhecimentos a priori puros, que, [[lexico:a:alem|além]] de não dependerem absolutamente de nenhuma experiência, são desprovidos de qualquer [[lexico:e:elemento|elemento]] [[lexico:e:empirico|empírico]]. P. ex., acrescentava ele, a proposição "Toda [[lexico:m:mudanca|mudança]] tem sua causa" é uma proposição a priori, mas não é pura, porque mudança é um [[lexico:c:conceito|conceito]] que só pode ser extraído da experiência (Crít. R. Pura, intr., 1). Mas a [[lexico:o:originalidade|originalidade]] da noção kantiana está na [[lexico:f:funcao|função]] atribuída a a priori, que não constitui um [[lexico:c:campo|campo]] ou domínio de conhecimentos à [[lexico:p:parte|parte]], mas a [[lexico:c:condicao|condição]] de [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:c:conhecimento-objetivo|conhecimento objetivo]]. A priori é a [[lexico:f:forma|forma]] do conhecimento, assim como a posteriori é o conteúdo. Em a priori fundam-se os conhecimentos da [[lexico:m:matematica|matemática]] e da [[lexico:f:fisica|física]] pura; mas o a priori por [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] não é conhecimento, mas a função que condiciona universalmente qualquer conhecimento, tanto [[lexico:s:sensivel|sensível]] quanto intelectual. Os [[lexico:j:juizos-sinteticos-a-priori|juízos sintéticos a priori]] são, com efeito, possíveis, em [[lexico:v:virtude|virtude]] das formas a priori da [[lexico:s:sensibilidade|sensibilidade]] e do [[lexico:i:intelecto|intelecto]]. O a priori é, para Kant, o elemento [[lexico:f:formal|formal]], isto é, ao mesmo tempo o que condiciona e fundamenta todos os graus do conhecimento; e não só do conhecimento, já que também no domínio da [[lexico:v:vontade|vontade]] e do [[lexico:s:sentimento|sentimento]] subsistem elementos a priori, como demonstram a [[lexico:c:critica-da-razao-pratica|Crítica da Razão Prática]] e a [[lexico:c:critica|Crítica]] do [[lexico:j:juizo|Juízo]]. A noção kantiana de a priori foi adotada ou pressuposta por boa parte da [[lexico:f:filosofia-moderna|filosofia moderna]]. O [[lexico:i:idealismo|Idealismo]] romântico corrigiu-a no sentido de admitir que todo o [[lexico:s:saber|saber]] é apriorístico, isto é, inteiramente produzido pela [[lexico:a:atividade|atividade]] produtiva do [[lexico:e:eu|eu]]. Assim pensaram [[lexico:f:fichte|Fichte]] e [[lexico:s:schelling|Schelling]]. [[lexico:h:hegel|Hegel]] julgava que o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] é essencialmente a [[lexico:n:negacao|negação]] de um existente [[lexico:i:imediato|imediato]], logo, de tudo o que é a posteriori ou se baseia na experiência. O a priori é, ao contrário, a [[lexico:r:reflexao|reflexão]] e a [[lexico:m:mediacao|mediação]] da imediação, isto é, a universalidade, o "[[lexico:e:estar|estar]] o pensamento em si mesmo" (Enc., § 12). Mais frequentemente, na filosofia [[lexico:m:moderna|moderna]], o apriori conserva o significado kantiano. E a tal significado se vincula, apesar de todas as diferenças, a noção de a priori material de [[lexico:h:husserl|Husserl]]. Essa noção está ligada à das ontologias regionais, pois, segundo Husserl, "por conhecimentos sintéticos a priori deveriam ser entendidos os axiomas regionais, de tal [[lexico:m:modo|modo]] que haveria tantas classes irredutíveis de conhecimentos sintéticos apriori, quantas são as regiões" (Ideen, I, § 16). Ora, regiões do ser são, p. ex., os [[lexico:c:conceitos|conceitos]] de [[lexico:o:objeto|objeto]] material, [[lexico:c:consciencia|consciência]], animalidade, [[lexico:s:sociedade|sociedade]], etc; e os axiomas [[lexico:r:relativos|relativos]] a cada uma de tais regiões implicam a [[lexico:r:referencia|referência]] ao seu conteúdo específico e são, por isso, materiais. 3) Na filosofia contemporânea, a [[lexico:e:existencia|existência]] de um a priori no sentido kantiano ou hegeliano é quase sempre negada. Diz, p. ex., [[lexico:r:reichenbach|Reichenbach]]: "Não existe [[lexico:n:nada|nada]] de [[lexico:s:semelhante|semelhante]] à auto-evidência sintética; as únicas fontes admissíveis do conhecimento são a [[lexico:p:percepcao|percepção]] sensível e a auto-evidência [[lexico:a:analitica|analítica]] das tautologias" ( The Theory of Probability, p. 372). Às vezes, defendeu-se uma "concepção [[lexico:p:pragmatica|pragmática]]" do apriori, pela qual ele consistiria sobretudo nos conceitos definitórios e nas estipulações convencionais de que se vale a [[lexico:c:ciencia|ciência]] (cf. C. I. Lewis, "A Pragmatic Conception of the ‘a priori’", em Readings in Philosophical Analysis, 1949, pp. 286 ss.). Mas, o mais das vezes, por a priori entende-se simplesmente o [[lexico:e:enunciado|enunciado]] tautológico ou [[lexico:a:analitico|analítico]] e por a posteriori a [[lexico:v:verdade|verdade]] empírica (v. [[lexico:a:analiticidade|analiticidade]]). Designa geralmente que numa [[lexico:s:serie|série]] ordenada se passa de um elemento anterior (prius) a [[lexico:o:outro|outro]] posterior, sendo indiferente eme dita série se processe ou não no tempo. Para que a [[lexico:e:expressao|expressão]] a priori seja unívoca, importa que se mantenha sempre fixa a [[lexico:o:ordem|ordem]] de [[lexico:s:sucessao|sucessão]] e que se indique o elemento, relativamente ao qual uma [[lexico:c:coisa|coisa]] é designada anterior. Um elemento pode ser a priori ou anterior (em [[lexico:o:oposicao|oposição]] a a posteriori) segundo uma ordem [[lexico:t:temporal|temporal]] (ontem — hoje), [[lexico:o:ontologica|ontológica]] (causa — efeito) ou [[lexico:l:logica|lógica]] ([[lexico:p:premissa|premissa]] — conclusão). O a priori [[lexico:p:psicologico|psicológico]] faz parte do a priori [[lexico:o:ontologico|ontológico]], e compreende as condições psíquicas por vias que determinam concomitantemente a direção da [[lexico:a:atencao|atenção]] e a [[lexico:f:formacao|formação]] do juízo. — Na lógica escolástica, denominam-se a priori as demonstrações que têm seu [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida nalguma coisa ontologicamente anterior, que, portanto, concluem da causa para o efeito, da [[lexico:e:essencia|essência]] para as propriedades. Desde Kant chama-se o priori todo conhecimento, cuja [[lexico:v:validade|validade]] independe logicamente da experiência (= percepção). Não se pretende com isto negar que tais conhecimentos dependam até certo ponto da experiência, no que diz [[lexico:r:respeito|respeito]] ao tempo e à [[lexico:o:origem|origem]] dos mesmos. Por a priori gnoseológico ou teorético-cognoscitivo entende-se o [[lexico:c:complexo|complexo]] de todas as condições apriorísticas do conhecimento, na [[lexico:m:medida|medida]] em que este, mediante aquelas, se torna objetivamente [[lexico:p:possivel|possível]]. Para designar esta mais ampla noção de a priori, Kant serve-se do vocábulo [[lexico:t:transcendental|transcendental]]. O a priori gnoseológico compreende as condições de validade do conhecimento; o a priori psicológico, as de existência. — Segundo Kant, a validade dos conhecimentos apriorísticos estriba em que, mediante eles, se fundamenta e possibilita a experiência (como série de conhecimentos universalmente válida e objetiva). Pelo que, o [[lexico:v:valor|valor]] dos conhecimentos apriorísticos circunscreve-se ao domínio da experiência possível ([[lexico:c:criticismo|criticismo]]). Pelo contrário, segundo a concepção escolástica, tem seu [[lexico:f:fundamento|fundamento]] na [[lexico:i:inteleccao|intelecção]] das [[lexico:r:relacoes|relações]] essenciais dos objetos. O valor [[lexico:a:absoluto|absoluto]] de tal intelecção dentro da ordem ontológica radica, em última [[lexico:i:instancia|instância]], no [[lexico:f:fato|fato]] de ambos os domínios, tanto o [[lexico:s:subjetivo|subjetivo]] quanto o [[lexico:o:objetivo|objetivo]], se fundamentarem na mesma pura [[lexico:i:identidade|identidade]] do conhecimento e do ser, que caracteriza o [[lexico:e:espirito|espírito]] absoluto. Consequentemente, o valor objetivo das proposições apriorísticas, a despeito de dependerem geneticamente da experiência, estende-se para além desta e é absolutamente [[lexico:i:ilimitado|ilimitado]]. — A expressão a priori perde seu valor, quando empregada na acepção de "antecedentemente à crítica" = acrítico. Em tal caso, é preferível substituí-lo pelo [[lexico:t:termo|termo]] "apriorístico". — [[lexico:b:brugger|Brugger]]. Embora na [[lexico:a:antiguidade|antiguidade]] e na idade média se tenha tratado o [[lexico:p:problema|problema]] a que se refere esta expressão, a [[lexico:q:questao|questão]] do a priori começa a ser tratada com toda a amplitude na [[lexico:e:epoca|época]] moderna. Um caso disso é constituído pela filosofia de [[lexico:d:descartes|Descartes]]. Não há neste nenhuma doutrina formal do a priori, mas a sua noção de [[lexico:i:ideia|ideia]] inata ([[lexico:m:meditacoes-metafisicas|Meditações Metafísicas]]. Os [[lexico:p:principios|Princípios]] da Filosofia), aproxima-se da concepção moderna de - ideia a priori. Locke, em contra partida, faz uma crítica ao [[lexico:i:inatismo|inatismo]], que pode equiparar-se a uma crítica de qualquer elemento a priori no conhecimento. Uma distinção entre tipos de conhecimento que leva à concepção de um a priori encontra-se pela primeira vez apenas em Hume e Leibniz. A distinção proposta por Hume - [[lexico:i:investigacao|Investigação]] - de “todos os objetos da razão ou investigação humana” em relações de ideias e fatos equivale a uma distinção entre enunciados [[lexico:a:analiticos|analíticos]] e sintéticos, respectivamente - v, analítico e [[lexico:s:sintetico|sintético]]. Os enunciados analíticos são inteiramente a priori; não procedem da experiência nem podem dizer nada sobre a experiência ou sobre “os fatos”. Limitam-se a constituir a base de raciocínios meramente formais e descobrem-se mediante a “mera [[lexico:o:operacao|operação]] do pensamento”, podendo comparar-se a regras de [[lexico:l:linguagem|linguagem]]. Por sua vez Leibniz distingue entre [[lexico:v:verdades-de-razao|verdades de razão]] e [[lexico:v:verdades-de-fato|verdades de fato]]. As primeiras são eternas, inatas e a priori, ao contrário das verdades de facto, que são empíricas, atuais e contingentes. “A razão— escreve Leibniz—é a verdade conhecida cuja ligação com outra verdade menos conhecida nos faz dar o nosso [[lexico:a:assentimento|assentimento]] a esta. Mas, de modo [[lexico:p:particular|particular]], e por [[lexico:e:excelencia|excelência]], chama-se razão se for a causa não só do nosso juízo, mas também da própria verdade, a qual se chama também razão a priori, e a causa nas [[lexico:c:coisas|coisas]] corresponde à razão nas verdades. ([[lexico:t:teodiceia|Teodiceia]]). Deve ter-se, todavia, em conta que a aprioridade [[lexico:b:bem|Bem]] como o [[lexico:c:caracter|carácter]] [[lexico:i:inato|inato]] das verdades de razão, não significa que estas estejam sempre presentes na [[lexico:m:mente|mente]]; as verdades de razão e a priori, em rigor, aquelas que se devem reconhecer como evidentes quando se apresentam a um espírito atento. Apesar das diferenças existentes entre a filosofia de Hume e a filosofia de Leibniz, estes autores são unânimes num aspecto: em que os enunciados a priori são analíticos e não sintéticos. Mas enquanto para Hume isso é [[lexico:c:consequencia|consequência]] do seu carácter meramente linguístico, para Leibniz é resultado da sua preeminência sobre a experiência. É diferente a concepção de a priori defendida por Kant. Os conceitos e as proposições a priori têm de ser pensadas com carácter de [[lexico:n:necessidade|necessidade]] absoluta. Mas não por serem todos meramente formais. Se o fossem, haveria que desistir de formular proposições universais e necessárias relativas à natureza. A universalidade e a necessidade dessas proposições seria então apenas a consequência do seu carácter analítico. Por outro lado, os conceitos da razão não podem aplicarse à [[lexico:r:realidade|realidade]] em si e muito menos servem como exemplos ou paradigmas dessa realidade; qualquer [[lexico:m:metafisica|metafísica]] baseada em meros conceitos de razão transcende a experiência e resulta numa pura [[lexico:i:imaginacao|imaginação]] [[lexico:r:racional|racional]], logo, não sintética. Kant considera que o conhecimento a priori é independente da experiência, ao contrário do conhecimento a posteriori que tem a sua origem na experiência ([[lexico:c:critica-da-razao-pura|Crítica da Razão Pura]]). “Toda a mudança tem uma causa” Não é, para Kant, uma proposição absolutamente a priori, porque a noção de mudança procede da experiência. não deve entender-se a independência da experiência meramente em sentido psicológico; O problema de que Kant se ocupa na crítica da razão pura não é o da [[lexico:o:origem-do-conhecimento|origem do conhecimento]] (como em Locke e em Hume), mas o da sua validade. Ora, Kant admite que pode haver [[lexico:j:juizos-sinteticos|juízos sintéticos]] a priori. O a priori não é, pois, sempre apenas analítico. se o fosse, nenhum conhecimento [[lexico:r:relativo|relativo]] à natureza poderia constituir-se em ciência. Mem sequer o [[lexico:s:senso-comum|senso comum]] pode prescindir de [[lexico:m:modos-de-conhecimento|modos de conhecimento]] a priori. Perguntar se há juízos sintéticos a priori na matemática e na ciência da natureza, equivale a perguntar se estas ciências são possíveis, e como o são. A resposta de Kant é afirmativa em ambos os casos, mas isso deve-se a que o a priori não se refere às coisas em si (v. coisa), mas às aparências (v. [[lexico:a:aparencia|aparência]]). Os elementos a priori condicionam a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de proposições universais e necessárias. Em contra partida não há na metafísica juízos sintéticos a priori porque o a priori não se aplica aos noumena (v. [[lexico:n:numeno|númeno]]). A doutrina kantiana foi ao mesmo tempo criticada e elaborada pelos idealistas alemães pós-kantianos. [[lexico:e:exemplo|exemplo]] desta dupla [[lexico:a:atitude|atitude]] é a atitude de Hegel. Por um lado, Hegel aceita a concepção do a priori enquanto admite (pelo menos ao expor a doutrina de Kant) que a universalidade e a necessidade devem [[lexico:c:criar|criar]] a priori, isto é, na razão (Lições sobre a [[lexico:h:historia-da-filosofia|História da Filosofia]]). Por outro lado, Hegel considera que as expressões a priori e “sintetizar”, usadas por Kant são vagas e até vazias (Lógica).