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Responsáveis
João Cardoso de Castro
Filósofo e Mestre em Educação, UFRJ
Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ
Contemporâneos > Karl Jaspers (1883-1969) > Existência possível

Existência possível

Published by Cardoso de Castro [mccastro] on 04/13/2012 (1185 reads)
Citado em Jeanne Hersch, "Karl Jaspers". Trad. Luis Guerreiro P. Cacais.




Chamamos "mundo" ao conjunto de tudo quanto se oferece a mim, quando me oriento no saber, entendido como conteúdo cognoscível para todos de maneira necessária. É questão de saber então se o ser do mundo esgota todo o ser e se o pensamento que conhece se detém ao mesmo tempo que a orientação no mundo. O que se chama, em linguagem mítica, alma e Deus, e, em linguagem filosófica, existência e transcendência, não pertence ao mundo. A alma, Deus, não são coisas cognoscíveis no mesmo sentido que o são as coisas do mundo; poderiam sê-lo, no entanto, de outra maneira. Não constituindo objeto de um saber, elas não seriam nada; sem serem conhecidas, seriam, contudo, pensadas.

À pergunta: Em face do ser-no-mundo, da sua totalidade, o que é que existe ainda? - a resposta pela qual se expressa uma determinação filosófica fundamental, é a seguinte:

Há ainda o ser que, ao nível fenomênico da realidade empírica, não existe, mas pode e deve existir (sein soll) decidindo com isso, no tempo, do seu ser eterno.

Este ser sou eu mesmo, entendido como existência. Sou existência na medida em que não me torno objeto de mim mesmo. Nela sinto-me independente, sem poder todavia considerar para isso o que chamo meu eu [mein Selbst). Vivo da sua possibilidade; só a sua atualização me faz ser eu. Se tento captá-la, ela me escapa, porque não é um sujeito psicológico. Sinto-me mais profundamente enraizado na sua possibilidade do que naquilo que posso entender de mim enquanto a predisposições ou características, quando me considero objetivamente. Ela se revela a si própria no plano empírico, na polaridade da subjetividade e da objetividade; mas não é aparência de qualquer coisa presente em algum lugar, algo como um objeto cujo caráter fundamental pudesse ser revelado mediante a consideração dè alguns dos seus aspectos. Ela só se revela a si própria e a outras existências.

O sujeito empírico não é, portanto, existência, mas o ser humano é, no sujeito empírico, existência possível. O sujeito empírico é ou não determinado, mas a existência, por ser possível, se encaminha ao seu ser ou dele se afasta para o nada, por escolha e decisão. O sujeito empírico, se comparado aos outros, diferirá deles pela estreiteza ou amplitude da parcela do mundo que abrange, mas a existência difere essencialmente de qualquer outra existência desde o fundo da sua liberdade. O sujeito empírico, como existente, vive e morre; a existência não conhece a morte, mas lança-se ao seu ser ou cai longe dele. O sujeito empírico está presente, é palpável, a existência é apenas liberdade. O sujeito empírico é todo ele temporal, a existência é no tempo mais que o tempo. O sujeito empírico é finito, na medida em que não constitui todo o dado empírico e se fecha sobre si mesmo; a existência também não se destina a si mesma nem é tudo; pois ela não existe senão por referência a outra existência e à transcendência, diante da qual, o Outro absoluto, ela reconhece que não existe só por si mesma; enquanto, porém, o sujeito empírico, como esfera relativa de um dado sem fim, pode ser chamado infinito, a infinitude da existência não tem nada de uma esfera, é possibilidade aberta. Para o sujeito empírico, a ação inspirada pela existência possível é sempre contestável: a sua vontade de viver, para ser durável no tempo, se opõe necessariamente à exigência absoluta da existência, cujas vias lhe parecem suspeitas, porquanto ameaçam ocasionar-lhe perdas ou mesmo conduzi-lo à destruição. A vontade de viver tende a subordinar a ação existencial às condições da própria salvaguardai; mas, para a existência possível, a posse e gozo incondicionais da realidade empírica são já uma ruína, pois ela subordina, por seu lado, a sua atualização empírica a condições nas quais ela se entende a si mesma como absoluta. Mas, quando a condição empírica se lhe manifesta claramente em sua realidade de malogro total, a vontade de viver pura e simples é levada ao desespero.

O sujeito empírico se realiza estando no mundo. Para a existência possível, o mundo é o campo onde ela se revela.

(Philosophie, II, págs. 1-2)
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